19 de Agosto de 2014

AS MAIS SIMPLES PAPAS DE AVEIA!

Bom dia, leitores! Estou a comer papas de aveia para o pequeno-almoco e apercebi-me de que nunca vos falei da maneira absolutamente mais simples de as preparar: no microondas!

Num prato de sopa, tigela ou taca de ir ao microondas deitar um copo de flocos de aveia fina integral, temperar com uma pitada de sal e uma noz de manteiga (ambos opcionais) e cobrir com água ou leite, para um sabor e textura bastante mais agradáveis. Levar ao microondas por 1 minuto, retirar, mexer e adicionar mais líquido se precisar. Levar outra vez ao microondas por mais 1 minuto. Depois é só adicionar fruta e está pronta a comer! 

Esta é a papa que todos os bebés Finlandeses comem, ao pequeno-almoco e à ceia, quando iniciam cereais na sua alimentacão.

Tenham um bom dia!

18 de Agosto de 2014

SOBRE OS SACOS DA FRUTA E HORTÍCOLAS II

Boa noite, queridos leitores! Lamento já não escrever há tanto tempo mas tenho andado mais activa noutras esferas da minha vida! De qualquer maneira, não ando menos atenta e recentemente aprendi com a minha sogra a fazer sacos para frutas e hortícolas a partir de folhas de jornal. Se não costumam ter jornais em casa, como é o meu caso, pecam a alguém que compre regularmente.

Resultado? Parei de acumular em casa aqueles sacos de plástico pequenos que tanto me inquietavam (aqui escrevi sobre isso). E estou super satisfeita! É claro que fica toda a gente no supermercado a olhar para mim mas quero acreditar que a maior parte estará a pensar, Ah que fixe, também quero aprender a fazer aqueles sacos!

Neste link podem ver um vídeo que mostra como fazer os sacos. Parece que são criacão de uma designer Finlandesa, que os projectou como sacos para lixo biodegradável. Depois é só fazer uns quantos de cada vez, um para tomates, outros para frutas, e metê-los na carteira. Assim, estamos sempre munidos!

Os únicos inconvenientes:
- Farruscam um pouco as mãos;
- Não servem para grandes volumes, já que não fecham.

O tempo que levam a fazer é mínimo e portanto não considero isso nenhum inconveniente. Se têm filhos, podem ensiná-los a fazer os sacos e assim juntar o útil aos agradável!

Digam-me se experimentarem! 
Beijinhos,
Ana

19 de Julho de 2014

PAPAS PARA BÉBÉS CASEIRAS (com glúten, não lácteas)

Bom dia, queridos leitores! Hoje venho publicar uma das mais importantes mensagens deste blogue, sobre alternativas saudáveis e ecológicas às papas para bebés.

Antes de mais, porque é que eu tenho andado a estudar e a experimentar alternativas às papas para bebés?

Porque a maioria das papas de compra contém
- óleos vegetais não discriminados, ou seja, podem ser de palma, de soja, de algodão, de girassol, o que for mais barato no momento, suponho;
- sacarose, açúcar, dextrose ou açúcar-cande, ou seja, açúcar;
- maltodextrina, um polímero da glicose de absorção rápida e elevado índice glicémico. É um aditivo alimentar provavelmente usado para espessar a papa. Tanto quanto sei, não ocorre na Natureza.
- lecitina de soja, um mero emulsionante mas que por ser de soja pode desencadear reacções alérgicas nalguns bebés. Por este motivo, algumas marcas usam lecitina de girassol (que eu preferiria, se fosse mãe).

Para além disso, se a farinha for láctea, constam também dos ingredientes leite em pó e suas proteínas, e na embalagem pode ler-se a partir dos 6 meses, quando o leite de vaca não é aconselhado a bebés com menos de 1 ano, para evitar o despoletar de reaccões alérgicas à proteína do leite de vaca.

Algumas papas contêm culturas de bifidobactérias. Deixo esta questão para o vosso bom-senso. Eu cá preferiria colonizar o tubo digestivo do meu bebé de um modo natural, através da amamentação e da alimentação. Mas muitos nutricionistas não partilham da mesma opinião.


Em relacão à composicão nutricional, a percentagem de açúcar tende a variar entre 30% e 50%. Imaginem, metade daquele pozinho pode ser acúcar!...

Entretanto, as papas não são todas iguais e vale sempre a pena ler a listagem de ingredientes. Algumas poucas primeiras papas no mercado não contêm açúcares de adição.


Avancemos. Que alternativas?


Como já uma vez aqui referi, na Finlândia não se dão papas de compra aos bebés. Em nenhum supermercado se encontra à venda quaisquer farinhas lácteas ou não lácetas, com ou sem glúten. Os bebés começam a consumir papas de aveia caseiras, primeiro com água e depois com leite de vaca, logo que seja permitida a introdução de glúten na alimentação do bebé.


Conclusão? As papas de compra não são essenciais, mas dispensáveis. E antes de existirem, os bebés de todo o mundo comiam certamente papas caseiras.


Posto isto, nos últimos dias tenho experimentado preparar cremes de aveia com frutos em casa. Já experimentei creme de aveia e maçã, creme de aveia e pêra e creme de aveia e banana, por serem no meu imaginário os sabores clássicos das papas para bebés (e que eu comi até ter 15 anos!). É claro que as possibilidades são infinitas: manga, papaia, laranja, morangos, pêra-abacate, qualquer fruto pode ser usado, desde que permitido pelo pediatra. 

Estas papas são super fáceis de preparar, muito saborosas, naturalmente doces e nutritivas. E muitíssimo mais saudáveis e baratas que as concorrentes de compra. E são comida livre, não estão a alimentar os vossos filhos com uma marca, mas com a Natureza.


Então, como preparar saudáveis papas caseiras para o seu bebé?

1. Comece por comprar um pacote de aveia fina integral, na área de dieta dos supermercados ou em lojas de produtos dietéticos. 

2. Na noite anterior a experimentar as papas, deixa a demolhar em água duas mãos cheias de aveia. Isto para aumentar a sua digestibilidade. Este passo será desnecessário se cozinhar as papas, mas continue a ler.


3. No dia a seguir, escorra a água da aveia e siga as seguintes intruções para preparar as papas:


Creme de aveia com maçã: No copo da varinha mágica, deitar meia maçã sem casca cortada em pedaços e duas mãos de flocos de aveia integral fina. Cobrir com água e temperar com uma pitada de sal. Depois triturar com a varinha mágica até obter a consistência desejada – adicionar mais flocos se demasiado líquida ou mais água se demasiado espessa. Transferir para uma taça. 

Adicionar nozes picadas e passas de uva e, se desejado, mel (as papas são naturalmente doces!), canela e uma pitada noz moscada. Considere a adequação destes ingredientes à idade do seu bebé, seguindo as instruções do pediatra.

Creme de aveia com pêra: No copo da varinha mágica, deitar 1 pêra madura cortada em pedaços e duas mãos de flocos de aveia integral fina. Adicionar um pouco de água e temperar com uma pitada de sal. Depois triturar com a varinha mágica até obter a consistência desejada – adicionar mais flocos se demasiado líquida ou mais água se demasiado espessa. Transferir para uma taça.

Decorar com chocolate preto raspado na hora. Considere a adequação deste ingrediente à idade do seu bebé, seguindo as instruções do pediatra.

Creme de aveia com banana: No copo da varinha mágica, deitar 1 banana madura cortada em pedacos e duas mãos de flocos de aveia integral fina. Cobrir com água e temperar com uma pitada de sal. Depois triturar com a varinha mágica até obter a consistência desejada – adicionar mais flocos se demasiado líquida ou mais água se demasiado espessa. Transferir para uma taça.

Enriqueça com morangos aos pedacinhos. Considere a adequação deste ingrediente à idade do seu bebé, seguindo as instruções do pediatra.


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Todos estes cremes estão à temperatura ambiente. Se desejar um creme frio, adicione água fria. Se desejar um creme quente, adicione água fervente ou cozinhe a aveia em água de acordo as instruções da embalagem. Nesse caso, não será necessário demolhar a aveia em água.


Estas papas contêm glúten, podendo ser introduzidas na alimentação do seu bebé apenas quando o pediatra recomendar a introdução de cereais com glúten, como o trigo, a cevada e o centeio. Em todo o caso, parece-me correto conversar com o seu pediatra antes de substituir as papas comuns por estas, até para partilhar esta possibilidade.


Se não têm bebés, preparem para vocês mesmos e deliciem-se!


Bom fim-de-semana!

P&A,
Ana

15 de Julho de 2014

FAZER XIXI NO BIDÉ!

Quanto mais vezes troco a sanita e o papel higiénico pelo bidé e água, mais convencida fico de que é uma medida super ecológica. 

Ao fazer xixi no bidé em vez de na sanita, poupa-se uma enorme quantidade de água. Mesmo tendo um autoclismo ecológico, qualquer descarga gasta muito mais água do que a torneira do bidé aberta por alguns segundos. 

Ao trocar o papel higiénico pela água, poupa-se dinheiro e árvores, polui-se menos a água (ou não se polui de todo, já que xixi é 100% natural e o papel higiénico não é propriamente 100% celulose). 

Para além disto, usar água em vez de papel higiénico é muito mais higiénico (zero odores desagradáveis!) e saudável, especialmente importante para quem tiver infeccões urinárias recorrentes ou infeccões da vulva ou da vagina. Também não precisamos de lavar as mãos porque a única mão 'suja' fica automaticamente lavada!

Genial, não? Infelizmente não deve dar para pôr em prática fora de casa mas mesmo assim vale a pena, ora vejam:

Imaginem que são um casal e que os dois fazem xixi em casa duas vezes por dia, de manhã e à noite, digamos. São 4 menos descargas de autoclismo. Ora quanta água se poupa ao final de um mês? Muita!

Reparem que isto não é nenhuma novidade hippie! A minha avó materna sempre se lavou no bidé em vez de usar papel higiénico!

O que acham?

14 de Julho de 2014

AFINAL, NÓS SOMOS MUITOS!

Boa noite, queridos leitores! Como estão? Tenho estado um pouco ausente mas tenho muuuito material para escrever!

Hoje venho escrever-vos sobre uma pequena descoberta que me provocou alguma emoção. Já todos vocês terão certamente ouvido falar da flora intestinal e da sua importância para a saúde humana, recentemente descoberta (e bem explorada pelos gigantes da indústria alimentar!...). 

Ora, o intestino é apenas um dos locais do corpo humano que está colonizado por bactérias, fungos e outros microrganismos que nos são benéficos. E assim, no outro dia, decidi pesquisar sobre as outras localizações desses microrganismos no nosso corpo e sobre o número estimado em que se encontram. E o resultado foi fantástico!

Diferentes microorganismos encontram-se em diferentes zonas e até camadas da pele, no cabelo, na boca, no nariz, na zona genital, nas axilas, espaços interdigitais, umbigo, orelhas... basicamente, em todo o corpo. Se todos estes microrganismos fossem visíveis a olho nu, acho que teríamos um aspecto bem diferente!

Quanto ao número, recentes investigações estimam que o número destes microorganismos no nosso corpo é tão elevado que o corpo humano é apenas 10% célula humana e 90% microrganismos! Incrível! Pensem no conceito de indivíduo depois desta informação! Não é interessante? Afinal não somos apenas um organismo multicelular... somos muitos organismos!

Por isso, desencorajem os vossos amigos e familiares de usar desinfectantes para as mãos de modo deliberado, elixires desinfectantes para a boca, líquidos de lavagem íntima capazes de desequilibrar uma flora vaginal equilibrada, sabonetes líquidos para as mãos que eliminam bactérias, enfim, uma panóplia de produtos relativamente inúteis para o quotidiano da maioria das pessoas. Se esses microorganismos vivem connosco enquanto indivíduos saudáveis será por alguma razão!

1 de Julho de 2014

ALTERNATIVAS AO LEITE OU... LEITE ALTERNATIVO?

Só uma clarificacão de ideias (antes de mais, das minhas, e agora espero que também das vossas): eu tenho escrito sobre as várias alternativas ao leite que encontro e consumo. Agora há aqui uma importante confusão: não são estas minhas novas bebidas as alternativas; o leite é que é alternativo, o leite é que foi introduzido muito recentemente na nossa alimentacão diária, há pouco de tradicional e Português no consumo de 3 chávenas de leite por dia. 

À luz do que já tinha lido sobre o consumo de leite antes do século XX, questionei a minha mãe sobre o papel do leite na sua infância. O leite era consumido apenas pelos doentes, pelo seu valor nutricional, é certo. Mas como já sabemos é uma bebida com uma grande pegada ecológica, que requer a exploracão de outra espécie, que gera respostas alérgicas ou de intolerância em muitas pessoas, e que poderá ter efeitos adversos no organismo, enquanto "suplemento hormonal".

Continuando, segundo a minha mãe, os sãos bebiam café de cevada, café e seus refrescos, se acessível, limonada, vinho tinto e, claro, infusões de folha de laranjeira, de cidreira, de tília, de limão, enfim, das plantas e árvores características de cada região. 

Ultimamente tenho, efectivamente, pensado sobre como delicada e bela é uma infusão. A sua cor, aroma e corpo, todo o ritual de preparacão e consumo, a sua simplicidade. Local, sazonal, acessível a todos, sem crueldade, natural. Toda a gente devia ser educada a apreciar uma infusão.

E o que bebiam os vossos pais e avós no passado, sabem?

30 de Junho de 2014

CORTAR O MEU CABELO II

Boa noite! Outra mensagem ainda hoje! Como tenho estado um pouco ausente, tenho uma data de assuntos de que vos quero falar!

Desde que deixei de usar amaciador e comecei a cortar o meu próprio cabelo em casa, é claro que me comecei a questionar se o meu cabelo continuaria a ser bonito e saudável (e é óbvio que sim!). Ao partilhar esta questão com uma maravilhosa amiga romena que tenho na Finlândia, ela ensinou-me um truque para aparar pontas espigadas.

Então, experimentem pegar numa madeixa de cabelo não muito grossa e enrolá-la no sentido do comprimento, mantendo-a esticada. Poderão ver que várias pontas, muitas delas espigadas, vão ficar fora da madeixa de cabelo enrolado. Com uma boa tesoura, cortem cuidadosamente todas as pontas espigadas. 

É suposto repetir-se o processo em todo o cabelo mas, para além de um bocado demorado, é complicado fazê-lo nas madeixas mais posteriores, a não ser que tenham o cabelo mesmo longo. A boa notícia é que podem pedir a alguém que vos faca - e fazer aos cabelos dos outros!

Apesar de moroso, dá um gozo enorme, prometo. Para o final, fica a promessa de um cabelo mais bonito, saudável e sedoso, sem recorrer a químicos!

VOLTAR ÀS LIMAS DE METAL!

Boa tarde, leitores! Como estão todos? Olhem, quando eu tinha para aí 14 anos, generalizou-se a ideia de que as limas de unhas de metal enfraquecem as unhas. E então toda a gente trocou a lima de metal pelas de cartão, descartáveis, baratas, aos packs no supermercado.  

Mas há uns dias, perante a minha completamente gasta lima de cartão, decidi-me a tirar da gaveta a lima de metal, que é tão maneirinha e eficaz. Não é que isto seja uma resolucão que vá mudar o mundo, já que comprei duas ou três limas de cartão a vida toda, mas achei por bem vir aqui partilhar esta medida ecológica na qual nunca havia pensado.


Até breve!

17 de Junho de 2014

PARAR DE TOMAR A PÍLULA IV

Boa noite queridos aspirantes a uma vida mais natural! Como estão? Hoje venho aqui só partilhar mais uma experiência que pode ser útil a outras mulheres que também pretendam parar de tomar a pílula. 

Já estava sem uma menstruação quase há 4 meses. A ginecologista tinha-me receitado um medicamento para induzir um período a cada três meses, caso não ocorresse naturalmente. Já tinha ido à farmácia comprá-lo, triste.

Entretanto, cheguei a Portugal. Foi tão grande a alegria de abraçar os meus pais e os meus irmãos, de conversar e rir com os meus amigos, de beijar a minha gatinha, de me sentar no chão do meu quarto, de comer as papinhas da minha mãe, enfim, já estão a perceber, o período veio!

Sei que o stress pode provocar ausência de menstruação, estava consciente que andava mais stressada nos últimos meses e, portanto, suspeitava (e esperava!) que isto fosse acontecer, mais foi mais rápido e óbvio do que pensei! 

Certamente não se recordam, mas quando parei de tomar a pílula, e ao fim de quase 6 meses sem um período, imaginem quando menstruei? Nas férias do Natal, passadas em Coimbra! Depois de passar vários dias inteiros em família, de tomar vários cafés com os amigos, e de celebrar a entrada no novo ano.

Portanto, os comprimidos vão ficar arrumados na gaveta e o diagnóstico de 'hormonalmente desequilibrada' pode ser trocado pelo de stressada, em tudo semelhantes e relacionados, é certo, mas com a diferença de que para tratamento desta última condição bastam injecções de alegria, identificação, sentimento de pertença, enfim, e injecções dessas não se vendem na farmácia, são aliás gratuitas mas às vezes mais difíceis de arranjar do que se imagina.

Resumindo: são saudáveis, o período não vem e não estão grávidas? Então, antes de recorrerem a medicação, experimentem um tratamento intensivo de alegria e bem-estar: rodeiem-se de quem amam e riam, dancem, comam, cantem. 

Boa noite!

12 de Junho de 2014

USAR MENOS MAQUILHAGEM (homens, leiam também!)

Queridos leitores, como já referi brevemente num post anterior, tenho usado menos maquilhagem do que costumava usar. Desde os 13 anos que uso algum tipo de pintura quase diariamente. E se no início era apenas uma diversão e um privilégio muito femininos, nos últimos anos,  pôr maquilhagem era mais uma necessidade: sair de casa sem maquilhagem era sinónimo de reza para não me cruzar com ninguém conhecido. Para além disso, ao longo dos anos, a minha rotina de maquilhagem foi-se complicando, como bactéria que desenvolve resistência a antibiótico. O rímel já não era suficiente, precisava agora também de gloss para lábios apetitosos e depois de blush para uma corzinha; depois veio ainda o eyeliner para olhos agressivos, os pós compactos para uma pele mate, as sombras de olhos e, finalmente, o iluminador para a minha tez opaca e sem vida.

Até que, no último ano, ouvi várias vezes do meu namorado não fazer ideia se eu estou a usar maquilhagem ou não. Na altura, pensei será que sou assim tão má a maquilhar-me (não sou nenhuma make-up artist mas sei fazer o que até agora chamaria de essencial)? Ou será que sou assim tão bonita? Decidi-me pela última (claro!) também porque, como já referi no outro post, não foram raras as vezes que, nos últimos meses, em frente ao espelho, achei que o olho por maquilhar estava afinal mais bonito do que o acabado de maquilhar. E foi então que comecei a reflectir sobre este hábito de muitas de nós de usar maquilhagem diariamente, de não conseguir sair de casa sem rímel, dizem umas, sem base, dizem outras.

E entretanto, nem sei bem como, já saí duas vezes à noite (restaurante, bar, club, esse tipo de situacões em que se usa maquilhagem sempre) sem maquilhagem nenhuma e, claro, a sensacão foi tão boa quanto esperava.

Mas atencão, isto não significa que nunca mais me volte a maquilhar! O exercício que estou a fazer serve para eu testar (e confirmar) que, na maioria das vezes me maquilho por acreditar que a minha beleza natural não é suficiente, por me sentir incompleta sem maquilhagem. Por isso, para mim, neste momento, não faz sentido fazê-lo diariamente. Maquilhar-se é divertido, é uma forma criativa de nos expressarmos, de comunicar sobre quem somos sem palavras, tal como fazemos com a roupa que usamos ou com a comida que comemos. Maquilhagem é, em última análise, uma arte, uma profissão. Usarei sim, de vez em quando, o meu batom vermelho dramático ou o meu lápis verde de olhos que tanto adoro. O importante é que nos sintamos verdadeiramente bem, em harmonia, por fora e por dentro.

Não confundam isto com desmazelo; eu adoro cuidar de mim! A diferenca é que dantes, na maioria dos dias, olhar para o meu rosto de manhã ou à noite, sem maquilhagem, não me dava muita satisfacão. Agora, vejo-me, sou eu e acho-me mais bonita que nunca.

O que acontece quando comecas a usar menos maquilhagem?

Acima de tudo, apercebes-te melhor da tua unicidade. Da raridade dos teus lábios, da cor dos teus olhos, da beleza da tua imperfeita pele. Sentes-te mais autêntica.

- Apercebes-te de que a prioridade deve ser a saúde da tua pele, o brilho dos teus olhos, o tamanho do teu sorriso, ou seja, a tua saúde e felicidade. Fazer exercício físico, dormir o suficiente, beber água e infusões, apanhar sol, rir, alimentares-te verdadeiramente saudável são o segredo da beleza para a vida.

- Comecas a aceitar-te e a aprender a gostar de ti tal como és. Sim, essa cara nua e cheia de graca é a tua e nunca houve nem jamais haverá outra igual.

- Arranjas-te mais rápido de manhã, ou seja, não tens desculpa para não comecares o dia com uma saudacão ao sol no teu jardim imaginário (...) nem para não tomares um bom primeiro-almoco. Podes também, simplesmente, dormir mais!... De qualquer maneira, é só vestir, lavar a cara (sem sabonete, claro!), escovar os dentes (com pasta de dentes caseira!) e já está.

- Cuidas mais bem da saúde dos teus olhos. No meu caso, que uso lentes de contacto, eyeliner foi sempre uma péssima ideia.

- Limpas a pele do rosto e mantém-la fresca ao longo do dia muito mais facilmente. Basta encontrar uma casa de banho, enxaguar bem o rosto com água e já está! Uma pele limpa e macia como ao acordar. Ao fim do dia, é assim também muito mais fácil dar uma nova frescura e luminosidade ao rosto.

- Balões e pistolas de água, festas em mansões com piscina, mergulhos no mar depois de saídas à noite, filmes como O Papuca e Dentuca, nadar antes de ir par o trabalho, nada disso é agora problema. Não há nada para esborratar!

- Quando estás rabujenta ou cansada, voltas a poder esfregar os olhos à vontade, como quando eras crianca!!! E que bem que sabe.

- Acabam-se os olhos esborratados ao fim do dia, contribuindo para um ar cansado e desmazelado.

- Acabam-se os discos de algodão, os desmaquilhantes, os olhos a arder da maquilhagem ou do desmaquilhante, nem quero saber. Antes de dormir só é preciso um splash de água! Preguica já não é motivo para te deitares sem limpar a pele.

- Dás mais um passo para melhorar o mundo. Gastas menos dinheiro (e portanto precisas de menos dinheiro), salvas uns quantos animais enjaulados para nossa seguranca, desde ratinhos e coelhos, cães e macacos, reduzes a poluicão inerente à indústria cosmética, podes dormir descansado porque ninguém na China está a incubar cancro do pulmão para produzir as tuas sombras de olhos, reduzes o teu volume de lixo, enfim, só coisas boas. Em última análise, poderemos acrescentar que promoves a igualdade de género no Ocidente, onde homens são desejados e amados ‘ao natural’ e as mulheres são educadas a produzir-se ou aperaltar-se para agradar e seduzir.

Beijinhos, agora de Coimbra!

10 de Junho de 2014

PARAR DE USAR CHAMPÔ IV

Queridos leitores,

Aproveitem o Verão e os mergulhos no mar e em piscinas para fazer uma detox ao couro cabeludo, parando de usar champô por uns dias. 

Este ano, mais uma vez, estou decidida a tentar!

Na semana passada, estive 6 dias a lavar o cabelo diariamente só com água. O cabelo ficou super oleoso mas recorrendo a tranças  e apanhados altos mantive a minha vida com normalidade.

Para quem tem cabelo seco ou com pouco volume, usar champô com menos frequência parece-me mais razoável (barato, rápido, ecológico) do que usar champô para cabelos secos. 

Se estão a dar os primeiros passos nestas andanças, deem uma vista de olhos aos meus posts anteriores, do ano passado, no separador "Parar de usar champô".

Boa sorte :)

P.S: Já há vários meses que mudei de champô; já não uso o da Urtekram mas sim um Finlandês, de preco semelhante, que faz menos espuma e de ingredientes ainda mais naturais. Quem tiver possibilidades, pode mandar vir da Finlândia para Portugal aqui.

9 de Junho de 2014

PASTA DE DENTES CASEIRA!

Estimados leitores, hoje trago uma óptima notícia! Finalmente, a semana passada decidi-me a experimentar fazer pasta de dentes caseira e venho encorajar-vos a fazer o mesmo! 

Como será fácil de perceber, a maior motivacão para fazer a minha própria pasta de dentes é livrar-me da infinita listagem de ingredientes cuja origem, funcão e efeitos desconheco. Vejamos os ingredientes da pasta de dentes que costumava usar (responsavelmente disponibilizado no site da marca) e a principal funcão que acredito terem (senso comum e pesquisa online):

Aqua - consistência
Carrageenan - consistência
Cellulose Gum - consistência
Glycerin - consistência e docura
Sodium Saccharin - docura
Limonene - aroma
Aroma - aroma
Sorbitol - docura e antibacteriano
Triclosan - antibacteriano
PVM/MA Copolymer - não percebi muito bem, desnecessário de qualquer maneira
Sodium Hydroxide - elevar o pH ácido da mistura
Sodium Lauryl Sulphate - detergente para remover gordura  (fazendo espuma)
Hydrated Silica - agente de limpeza por abrasão
CI 77891 - agente branqueador
Sodium Fluoride - fonte de flúor

Interessante, não? Metade dos ingredientes servem para dar a consistência, textura, sabor e aroma que conhecemos e portanto são desnecessários.

Pasta de dentes caseira - Porquê?
- Menos embalagens de plástico no meu caixote do lixo
- Verdadeiramente biodegradável. E portanto boa para usar no campo, em acampamentos, na casa do lago, num rio, mar...
- Levar à boca, duas vezes por dia, algo que sei exatamente o que é
- Dar menos uns trocos às gigantes mundiais Unilever, Johnson&Johnson, Colgate-Palmolive e companhia (que também comercializam produtos de limpeza para a casa-de-banho, batatas fritas e gelados) e expressar o meu desagrado por não me oferecerem um produto que me agrade...
- Poluir menos a água que escoa da minha casa-de-banho para o mundo e que tempos mais tarde, é a mesma água que bebo para matar a sede...
- Pela diversão de fazer a minha própria pasta de dentes!
- Pelo custo inferior? Ainda não tive oportunidade de calcular.

Sem mais rodeios, vamos à receita para uma quantidade suficiente para uns dias de teste:

2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio (agente branqueador e de limpeza por abrasão; pode comprar-se na farmácia ou no supermercado)
2 colheres de sopa de óleo de coco (de preferência, orgânico, prensado a frio, extra virgem; para dar consistência e adocar a mistura bem salgada. Pode comprar-se, por exemplo, no Celeiro-Dieta ou nos pontos de venda da Próvida)
8 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta (ou o que preferirem!)

Misturar tudo muito bem, eventualmente, directamente no recipiente onde vai conservar a pasta no futuro. Eu estou a reutilizar um frasco de vidro de manteiga de amendoim.

Umas poucas consideracões:

  • Esquecam aquela frescura dormente e prolongada típica da pasta de dentes; isso acabou! Plantem uma erva-cidreira num vasinho à janela e masquem umas folhas depois de lavar os dentes, como eu tenho feito.
  • Bem sei que usar óleo de coco em Portugal ou na Finlândia pouco de greener tem mas como tinha em casa (uso como hidratante corporal) e encontrei uma receita cuja base era óleo de coco, então decidi-me a experimentar. Da próxima vez, tenciono usar glicerina vegetal por acreditar ser mais ecológico mas também porque o sabor do óleo de coco é um pouco intenso.
  • O bicarbonato de sódio não se dissolveu bem mas é possível que se apresente em granulacões diferentes, por isso vou tentar encontrar bicarbonato de sódio extra fino!
  • Nesta pasta de dentes falta o flúor que usámos a vida toda para prevenir cáries. Mas como parece que o meio ambiente está absoluta e toxicamente contaminado com flúor (alguns países, por exemplo os EUA, suplementam a água pública com flúor) - que chega até nós via alimentos e água - não estou nada preocupada.
  • A par da mudanca é muito importante evitar alimentos muito processados tipo pão branco, tostas, bolachas (incluindo de água e sal), rebucados, iogurtes acucarados, pastéis e bolos, cereais de pequeno-almoco prontos a comer, gomas,  e todos os outros que tendem a deixar imensos resíduos nos dentes. Como já uma vez relatei aqui, com uma dieta minimamente processada, os dentes chegam ao final do dia muito mais limpos.
Okay, então, o próximo passo é experimentar usar glicerina vegetal em vez do óleo de coco, bicarbonato de sódio mais finamente granulado e ver se é possível encher um tubo vazio de pasta de dentes, para ser mais prático.

Alguém gostaria de me falar sobre a sua experiência com pasta de dentes caseira? 

5 de Junho de 2014

HOJE É DIA DE FESTA...

Olá queridos leitores! Como estão? Hoje é um dia muito especial para o Greener Healthier Happier, que faz um aninho! Queria agradecer a todos os milhares de visitantes, que têm seguido os meus devaneios mais ou menos ecológicos ou que de vez em quando aqui caem, à procura de como preparar papas de aveia ou café de cevada (as duas entradas mais comuns nos motores de busca!).

Se inicialmente pensei apenas relatar os meus passos muito práticos no sentido de viver um dia-a-dia mais ecológico, hoje uso o blog também para partilhar filosofias e pensamentos que me agitam e entusiasmam em diversos campos da vida humana, tentando não fugir ao tema principal: como viver em maior harmonia com a Natureza, animais, humanos. Por favor, sintam-se à vontade para sugerir tópicos sobre os quais gostassem de ver escrito!

A centésima mensagem está também prestes a ser publicada e o meu estilo de vida em activa evolucão, logo, material para continuar a escrever não me faltará! Por isso, parece que é para continuar!

Como todos os bloggers, gostaria apenas de ter leitores mais activos, principalmente para encontrar pessoas like-minded, já que às vezes ser um verdinho no meio da multidão é um pouco difícil, injusto e frustrante. De qualquer maneira, ser eco é ser cool, jovial, irreverente, moderno, sonhador, inconformista, por isso mais cedo ou mais tarde todos o serão!

Finalmente, se acham que no Greener Healthier Happier se lêem umas coisas interessantes de vez em quando, então roubo a expressão ao Noctula Chanel e peco-vos para não serem egoístas e partilharem!

Muito obrigada a tod@s! 
Paz e amor,

4 de Junho de 2014

PAPAS DE AVEIA RAW PARA O VERÃO!

... E ainda mais fáceis do que as habituais. Hoje de manhã, para o pequeno-almoco, experimentei papas de aveia preparadas como sugerido pela Márcia do Compassionate Cuisine

Ou seja, deixei os meus flocos de aveia a 'demolhar' em água durante a noite, para estarem macios e prontos a comer de manhã. Idealmente, deve adicionar-se aos flocos apenas a água necessária já que, de manhã, essa água estará cremosa e saborosa, cheia de nutrientes da aveia, por isso não convém rejeitá-la.

Depois é só adicionar o que mais gostarem, por exemplo, morangos, mirtilos, amoras, framboesas, banana, macã, canela, sal, mel, passas de uva, de ameixa ou de alperce, avelãs, nozes, amêndoas, amendoins... hmmm! 


Desta vez tenho fotografia!
Eu adicionei o que tinha em casa, não estava nenhuma maravilha, arandos vermelhos Finlandeses, banana, canela, sementes de cânhamo (nome industrial de uma variante da planta Cannabis) e flores de morangueiro selvagem colhidas na floresta (em breve blogo sobre isto!). Desta vez adicionei tudo apenas de manhã mas para a próxima talvez experimente deixar já tudo na taca durante a noite.

Vantagens destas papas de aveia em relacão às convencionais: 
- Super fáceis e rápidas de preparar;
- Raw, vivas, como preferirem!
- Sem uso de electricidade, podendo ser preparadas off-grid!
- À temperatura ambiente e não a escaldar, portanto, boas para o Verão!
- Só uma taca de cereais e uma colher para lavar!

Bom, não?

O MELHOR SUMO DE LARANJA DE SEMPRE!

Boa tarde, queridos leitores! Como andam as vossas verdes vidas? Venho aqui num instantinho para vos explicar como se faz aquele que eu acho ser o melhor sumo de laranja do mundo - sem bimby, misturadora ou máquina de fazer sumos que, aproveito para dizer, é uma bela maneira de deitar para o lixo a fibra dos vegetais e frutas usados, esbanjar dinheiro, desrespeitar o trabalho de quem produz o que comemos e gozar com quem nada tem para comer.

Então, para um copo, descasca-se e corta-se em gomos uma laranja Portuguesa sumarenta, rejeitando as sementes. Depois é só triturar tudo com a varinha mágica. Para o sumo ser fresquinho, ou se usam laranjas saídas do frigorífico ou se adiciona um pouco de água bem fria ou se adicionam umas pedras de gelo no final. 

E está pronto o sumo de laranja mais simples, saudável e rápido do mundo. Já não há desculpas para beber sumo de laranja de compra em vez de leite! Nem sequer mais barato é! Experimentem e digam lá se não é tão perfeito como o que nos servem nos restaurantes e cafés por 2,5€!

Beijinhos!
Ana

28 de Maio de 2014

MAIS ALTERNATIVAS VEGETARIANAS À MANTEIGA E AO QUEIJO

Bom dia, queridos leitores! Então, ontem adormeceram a reflectir sobre o artista adormecido em vocês? :) Hoje venho só aqui deixar mais duas sugestões de substitutos vegetarianos para o queijo e manteiga.

Uma das alterativas é a pasta italiana de manjericão ou molho pesto. Como é muito fácil ter um belo manjericão num vasinho, tenciono preparar pesto caseiro, também porque os de compra são caros, salgadíssimos e implicam um frasco de vidro a cada compra. Como os principais ingredientes do pesto podem ser produzidos em Portugal, acaba por ser uma opcão relativamente ecológica. De qualquer maneira, ainda ando a consumir pesto de compra.

A outra sugestão é manteiga de amendoim. Felizmente, hoje é possível encontrar no mercado Português (Celeiro e Próvida, pelo menos) manteigas de amendoim que são puro amendoim triturado, ou seja, sem gorduras adicionadas, muito menos hidrogenadas, como acontece com a clássica manteiga de amendoim importada dos EUA. Pura energia vegetal com uma consistência e aroma perfeitos. Infelizmente, não é propriamente uma opcão verde já que, mesmo preparando manteiga de amendoim caseira, os amendoins ou vêm da China ou dos EUA (logo que dois...).

Já este ano também experimentei congelar manteiga com sal e ervas, como sugerido pela Ema, mas não fiquei muito satisfeita, talvez porque não tenha barrado no pão uma quantidade suficiente. Acho que ainda vou experimentar mais uma vez.

Estas duas opcões acrescentam-se à lista do azeite e sal, do triturado catalão de tomate e da pasta de grão-de-bico

E vocês desse lado, o que usam?

27 de Maio de 2014

DE ARTISTA E LOUCO, TODOS TEMOS UM POUCO!

Boa tarde, leitores! Não sei bem como comecar este post. É que quero escrever-vos sobre uma complexa ideia que me tem andado no pensamento no último mês -  e que está a agitar o meu mundo! Então, resumidamente, ando convencida de que todos nós somos capazes de produzir arte. E para vos tentar convencer também, vou contar a história do princípio. 

Acho que tudo comecou quando li o livro Veronika decide morrer, de Paulo Coelho. Não acho que Paulo Coelho escreva propriamente bem - não vou aprofundar por fugir ao tema deste blogue - mas acho sim que é um génio, super inteligente e fertilíssimo em ideias e pensamentos absolutamente fantásticos - que acredito irem muito mais além do que explora nos seus livros. Retomando, neste tal livro, Veronika, uma jovem mulher iluminada pela consciência que a morte eminente lhe proporciona, recomeca a tocar piano, paixão de adolescência que abandonou com o passar do tempo.

O livro li-o há vários meses e pensei "Pois, que bonito mas eu não tenho jeito nenhum para a música". Entretanto, num jantar vegetariano do clube do ambiente da Universidade que frequento, conheci um interessante estudante de medicina que recentemente comecou a pintar e que no futuro deseja incluir pintura na terapia dos seus doentes, principalmente daqueles de doenca mental.

Depois, na Páscoa, como sabem, estive 3 ou 4 dias numa cabine em madeira no meio da floresta e à beira de um enorme lago, numa ilha da Finlândia. E quando um ser humano é colocado num ambiente tão virgem e silencioso, e assim que limpa a mente do ruído da cidade, comeca a interagir com o ambiente. E o resultado é arte. Há mais espaco para dancar, mais silêncio para fazer música com o que nos passa pelas mãos, mais ar para cantar, mais paz para escrever. Eu passei três ou quatro dias a cantarolar.

E passados uns dias, no final de Abril - e já depois de ter acabado outro livro de Paulo Coelho, Brida, onde se lê uma sensual descricão de uma danca inesquecível - o meu pequeno quarto, de tão vazio virou palco, e eu dancei, dancei, dancei músicas a fio, como fazia em adolescente. A danca é, para mim, o piano da Veronika.

E pronto, o resto passou-se na minha cabeca - que às vezes parece o mar de Quiaios, sem ordem nem desordem, rebelde e irrequieto - e foi um instante até achar que todos nós estamos dotados de um talento capaz de criar algo a que se deve chamar arte. 

“You must have chaos within you to give birth to a dancing star.” 
(Friedrich Nietzsche)

E então vocês perguntam, Então mas se isso é verdade, porque é que não somos todos artistas? Boa pergunta, era aqui que eu queria chegar. E eu acredito que as principais razões para nem todos produzirmos arte são as seguintes:

> Só nos é permitido experimentar enquanto criancas e adolescentes. Pensem quantas vezes nos últimos anos se sentaram à secretária com uma folha em branco e comecaram a desenhar. E pensem também em como reagiriam os que vos rodeiam se, com quarenta anos e sem qualquer história de arte, vos encontrassem a desenhar...

> Produzir arte significa avaliacão, competicão, expectativa, evolucão, perfeicão. Todos relativamente desencorajadores. Se escrevemos bem enquanto criancas, os nossos pais dizem-nos que um dia ainda vamos ser escritores. Se cantamos bem, ainda vamos ser cantores. A criacão não é desfrutada pela simples razão de existir.

> Porque arte implica tempo. E tempo é dinheiro. Portanto, arte não é dinheiro. E todos aqueles que têm uma paixão artística são desencorajados de a seguir por não ter futuro... mal eles sabem que nada tem mais futuro do que isso mesmo.

> Há demasiado ruído artístico e poluicão de todas as formas. Há demasiado barulho, demasiadas imagens, cores e formas, demasiada velocidade. As nossas casas estão cheias, os nossos olhos só olham, sem espaco para ver. Há demasiado entretenimento. Não há muito espaco para criar, principalmente, na nossa mente.

> É-nos incutida a ideia de que a nossa performance é boa ou má, cantamos ou desenhamos bem ou mal, de que existe boa e má arte. E se nos convencemos de que somos maus... quem continua ou volta a tentar?

> Não somos encorajados a criar arte sem público. Não vou aprofundar porque não percebo nada de arte e a ideia geral entre os entendidos é a de que não há arte sem público, de que arte sem público não é arte, de que é o público que dá sentido à arte.

“Every child is an artist. The problem is how to remain an artist once he grows up.” (Picasso)

E é sobre este problema que tenho andado a reflectir. E o resultado é que tenho andado a magicar um projecto inovador e excitante sobre o qual espero dar-vos notícias durante o próximo ano...! Entretanto, espero que ternham conseguido ver o lado greener deste post, que é grande, e que vos tenha inspirado. Arte é liberdade e libertacão.

“Art washes away from the soul the dust of everyday life.” 
(Picasso)

20 de Maio de 2014

QUEQUES EM SEGUNDA MÃO

Queridos leitores, como estão desde ontem à noite? Venho aqui espalhar mais um pouquinho de inspiracão, espero. No Domingo passado, aconteceu aqui no bairro onde vivo o chamado Dia de Limpeza. Os dias de limpeza são um evento que acontece por toda a Finlândia, geralmente, na Primavera, durante os quais as pessoas tentam ver-se livres de objectos que já não lhes são úteis. Assim, ruas, bairros ou mesmo cidades inteiras, viram mercados de segunda-mão. 

Imagem: Pirjo Vallius
Eu nunca falho! É quase certo que se fazem excelentes negócios. Em dias de limpeza já comprei os meus patins em linha por 3€, a minha raquete de badminton por 50 cent, uma t-shirt preta que adoro por 1€, um grande dicionário Inglês-Finlandês por 2€, entre muitas outras coisas. E no passo Domingo, com 12€ trouxe para casa: duas pulseiras, dois colares, 3 pares de brincos, um casaquinho de malha, duas t-shirts super bonitas, dois vestidos lindíssimos e um livro sobre filosofia. Tudo amor à primeira vista, em óptimo estado, a cheirar a lavado. Também se encontram sempre caixotes "leve se quiser!", com toda a tralha possível.

Este Dia de Limpeza também foi especial porque como sobraram imensos queques de limão do Dia do Restaurante (e como a venda livre só é permitida mesmo naqueles quatro dias por ano), andei a distribuir docura e sorrisos pelo bairro. Desapareceram em três tempos! :)

Gosto de publicar sobre comprar em segunda mão porque, como acho que já disse algures neste blogue, acho uma estupidez 'dar à empregada' sacadas de roupa em óptimo estado, muitas vezes sem fazer a mínima ideia se as roupas vão servir a alguém lá em casa (e se realmente são precisas!). Gosto de trocas, de "ficar quites", do esforco que a venda requer, dos dedos de conversa, de toda a dinâmica. Comprar em segunda mão é muito mais barato, lucra toda a gente, abana a esbanjadora economia formal, traz liberdade, justica, agita as gentes, reduz o desperdício e ajuda a manter a sanidade mental de muitas lares. Tralha para uns, achado para outros!

19 de Maio de 2014

IMPOSSIBLE IS NOTHING!

O que aconteceu este sábado 17 de Maio é que ainda me custa a acreditar. Sei que os media Portugueses já andam a divulgar o Dia do Restaurante, uma ideia absolutamente incrível incubada em Helsínquia e que já tive o prazer de experiencar várias vezes. Basicamente, no Dia do Restaurante, Ravintolapäivä originalmente, mas agora traduzido para inúmeras línguas, qualquer um pode assentar um restaurante, café, pastelaria, onde quer que queira. Acontece quatro vezes por ano, uma por estacão. Em Helsínquia, esses quatro dias por ano são um verdadeiro carnaval de sabores, uma excitacão. Podem ler mais sobre o Dia do Restaurante no site oficial.

Em Maio de 2012, em equipa com três amigas, já tinha experimentado criar o meu próprio restaurante. Duas mesinhas e umas poucas cadeiras na zona jardinada do nosso prédio e voilá, foi ver os transeuntes a desviar-se das suas rotas só para vir espreitar o nosso restaurante. Há dois anos foi assim.  


Mas este ano foi especial. Já andava a planear este Dia do Restaurante há vários meses. Com um claro objectivo: angariar dinheiro para oferecer aos meus pais uma viagem surpresa a Helsínquia. Sonhei, pensei, perguntei, planeei, stressei, calculei, convidei, duvidei, publicitei, cozinhei, provei. Cinco bolos de chocolate, cinco tartes de alho-francês, a juntar a várias ofertas de bons amigos, bolo mármore, pão-doce, queques de limão, tarte de queijo feta, enfim. 

Abrimos o nosso Happy Bites cafe ao meio-dia e fechámos às oito da noite. O sol brilhou o dia todo e foi o dia mais quente em Helsínquia, até então. Servimos cerca de 100 pessoas, surfistas, turistas, hippies, criancas, uma festa de despedida de solteira, a maior parte desconhecidos sem qualquer ideia da ideia por trás do projecto; alguns vinham, de GPS na mão, "É aqui o café da felicidade?". Também muitos amigos apareceram, com os seus namorados, pais, filhos, amigos. Aguns vizinhos também se juntaram, e pela primeira vez vi o jardim do nosso prédio cheio de gente. Até a sesta se dormiu de barriga cheia.

Design: Alexandra Vorobjeff
E pronto, já devem ter percebido. Fizémos mais dinheiro do que precisávamos para pagar dois voos de ida-e-volta de Lisboa para Helsínquia. Pedimos a todos os clientes do nosso café para deixarem o seu nome numa folha, para que os meus pais percebessem o quão real tudo foi. De resto, muita emocão.

Sonho. Paixão. Esperanca. Criatividade. Amor. Amizade. Generosidade. Alegria. Paz. Tudo num só dia.

"Impossible is not a fact. It's an opinion. Impossible is not a declaration. It's a dare. Impossible is potential. Impossible is temporary. Impossible is nothing.” (Muhammad Ali)

"MAHTAVA SUNNUNTAITA!"

Boa noite, queridos leitores!! Já tinha saudades de escrever e por isso decidi parar tudo e abrir o blogue. Estou de férias de Verão e muitas coisas maravilhosas que quero partilhar com vocês têm acontecido. 

Há duas semanas atrás, num fim-de-semana, eu e o meu namorado decidimos dar um início formal ao nosso projecto de RAKs (lembram-se de vos ter falado disto no final de 2013?). Digo formal porque desde o início do ano que nos esforcamos por estar mais atentos aos que nos rodeiam, no autocarro, no supermercado, no andar do nosso prédio. Decidimos então comecar por empenhar-nos em fomentar o sentido de comunidade, pertenca e bairrismo aqui da vizinhanca, cumprindo o seguinte act of kindness:
  • Post an anonymous "Have a great day" card in a stranger's letterbox.
Assim, num sábado à noite sem planos, sentámo-nos à mesa de jantar (a única nos nossos 27 metros quadrados de chão) a fazer postais com desejos de bom dia para distribuir a todos os apartamentos do nosso prédio. "Bom Domingo!" para uns, "Tenham um bom dia!" para outros, bonitas frases não nos faltaram, o Finlandês ofereceu-nos, estranhamente, mais possibilidades do que o Português me está a oferecer a agora. Desenhámos coracões, estrelas, andorinhas, ondas, sóis, enfim, a pensar naquele vizinho velhote tão gentil que encontramos a vir da sauna, naquela avó que nos empata por meia hora sempre nos apanha, no casal que acabou de ter um bebé, na rapariga meia italiana que tem dois cãezinhos, na mãe solteira que parece sempre tão triste, no rapaz que tem livros a decorar o parapeito da janela, no vizinho que fuma às escondidas dentro de casa, na tímida rapariga da cozinha retro cujo gato foge sempre que pode, no senhor sozinho de meia-idade com brincos e tatuagens. Agora comovi-me; afinal, conheco mais bem os meus vizinhos do que pensava. Assinámos "Os vizinhos" e fomos dormir.

Domingo de manhã até acordámos mais facilmente; saímos sem tomar o pequeno-almoco, ainda de pijama, subimos até ao último andar e desatámos a meter um postal em cada caixa de correio - aqui, em cada porta - correndo escada abaixo o mais silenciosamente possível. Voltamos ofegantes, a rir e a imaginar o que estará cada vizinho a pensar. Uns terão pensado "Mas que brincadeira vem a ser esta?" mas muitos mais terão tido um Domingo melhor.

Acredito que o motor de tudo o que fazemos, mesmo pelo o outro, é a nossa natureza egoísta; mas há egoísmos que fazem bem a todos! Experimentem em Portugal, onde eu sinto que os vizinhos estão cada vez mais frios e desconectados.

Já venho contar mais coisas bonitas.

6 de Maio de 2014

GRITO!

Quando comprar um carro é algo que não desperta em nós o mais pequeno interesse...
Quando usamos as mesmas roupas durante vinte anos...
Quando decorar a casa significa para nós apanhar pinhas e escrever nas paredes...
Quando preferimos um livro amarelo e gasto a um novo...
Quando nos sentimos completamente perdidos num centro comercial...
Quando deixamos de perceber porque estão todos sempre com tanta pressa...
Quando temos mais prazer a comer uma cenoura à dentada do que bolachas...
Quando achamos redutores e supérfluos os títulos académicos que temos andado a coleccionar...
Quando ficamos mais felizes por conseguir fazer o pino do que por ir de férias...
Quando achamos que a cosmética mais bonita para o nosso rosto são as linhas que a Natureza nos tracou...
Quando sonhamos partilhar uma casa com os nossos pais, amigos, irmãos e as suas famílias...
Quando sentimos que não há nada como um jantar caseiro...
Quando não percebemos porque é que se assina um papel quando amamos alguém...
Quando o nosso sonho é conceber um filho feliz, livre e sonhador e não um filho bem sucedido...
Quando estamos certos que a mais fantástica viagem é vivida dentro de nós e não de avião...
Quando percebemos que estamos mais perto da essência da vida do que os que nos rodeiam...
E que ainda assim somos tomados por malucos...

... Comeca a ser muito desafiante encontrar um significado para o dia-a-dia para o qual fomos empurrados. Sabemos quem somos e que não estamos sozinhos mas não sabemos onde nos agarrar. Onde andam vocês, semelhantes?

Por mais que larguem os braços
E que se soltem amarras
E que se tapem as covas
Por mais que rasguem os quadros
E que se queimem as leis
E que os costumes esmoreçam
Por mais que arrasem as feras
E que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam
Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça
Vocês
Fizeram os dias assim!

Não nos venham pedir contas
Não venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias
Não vão ser gastos assim!


Fizeram Os Dias Assim - Trovante

O CORPO HUMANO COMO EU NUNCA O TINHA VISTO...

Mais uma onda criativa (e uma longa viagem de comboio). A inspiracão para esta mensagem nasceu de um post do Noctula Channel, sobre o rapaz que salva um veado bebé de umas cheias no Bangladesh. Ao ler a notícia, parei para admirar o corpo esculpido do menino.

Muito provavelmente, um corpo de trabalho físico e alimentacão muito saudável e justamente suficiente. Não pude evitar questionar-me "Quantos de nós têm um corpo assim?". O menino é um jovem, é certo, mas quantas criancas Portuguesas têm excesso de peso? Como se pareceriam as nossas criancas se se alimentassem como a Natureza prevê e, em vez de passarem 8horas sentadas nos bancos da escola e mais umas quantas no sofá, passassem o dia a aprender saltando, correndo, trepando, como toda a crianca quer? Alguns leitores aqui talvez ainda se lembrem quão atléticos se pareciam os meninos Portugueses nascidos nas décadas de 70/80, crescidos sem consolas e computadores...

Daí a um instante, estava mentalmente a comparar a beleza do corpo do ser humano com a beleza do corpo de uma zebra, de um cavalo, de uma girafa, de uma chita, de uma leoa, todos eles animais lindíssimos. Perceber o que quero dizer requer alguma capacidade de abstracão; afinal, há uma semana estive numa festa de aniversário em que tive de ouvir que "as abelhas nem sequer são animais!...". Muda, acenei com a cabeca, apenas. Primeiro, há-que realmente perceber que somos todos animais. Que somos apenas uma espécie, com capacidades únicas e fantásticas, certamente, mas não deixamos de ser apenas uma das espécies. Não existe 'nós' e 'os animais', como tantos de nós estão convencidos.

O ser humano é um animal absolutamente belo.

E nós poucas vezes nos apercebemos disso. Pintamos os cabelos, os olhos e os lábios, esticamos o cabelo, pintamos as unhas, cobrimos o corpo de roupas com um pudor que cada vez faz menos sentido. Tenho aqui na Finlândia um conhecido Indiano que a comentar as mortais violacões a várias mulheres na Índia me disse "eles estão bêbedos, em grupo, e elas andam meio despidas".

Nós podemos estar meio vestidos mas nunca meio despidos. Nú é o nosso corpo.

Entretanto, outra ideia me veio à cabeca: será que nós, mulheres Ocidentais, conscientes da falta de liberdade das mulheres nalguns países do Oriente, somos tão livres quanto pensamos? Será que é por nós que usamos maquilhagem e saltos altos, ou será porque essa é apenas a mulher desejada no Ocidente? Como é rotulada uma mulher que não se maquilha ou prefere sapatos rasos? Deselegante? Desmazelada? Não parece de uma sociedade conservadora e opressora que tantas mulheres se queixem de dores horríveis no pés e continuem a usar saltos altos?

Ultimamente, várias vezes me tem acontecido maquilhar os olhos e arrepender-me logo de seguida. Olhar o espelho e pensar que estava mais bonita sem maquilhagem, com os olhos limpos, frescos, luminosos. E assim, espontaneamente, tenho usado menos maquilhagem que nunca. Há muitos anos que acredito não haver melhor blush, pó compacto, iluminador ou corrector do que uma boa noite de sono, um mergulho no mar, uma boa corrida, um sorriso, e, sobretudo, do que a felicidade.


"cada ser humano é uma estrela viva e única no teatro da existência." (Augusto Cury)

Uma boa semana para tod@s!