10 de dezembro de 2014

BALANCO DE 2014 (ainda sujeito a update)

Bom dia queridos leitores. Como estão? Venho aqui deixar-vos algumas consideracões sobre as minhas experiências ecológicas do ano que passou, a ter em conta no ano que vem: 

- Faz em breve um ano que passei a lavar a cara apenas com água. Diariamente, de manhã e à noite, como sempre fiz. E o resultado é espectacular. Nunca mais tive a pele nem muito seca nem muito oleosa ao fim do dia. Como tenho a pele muito mais equilibrada, tenho muito menos necessidade de usar creme hidratante, a não ser quando está muito frio ou vento. Agora aposto em ter apenas um bom creme facial, que uso tanto como creme de noite como de dia. Com esta experiência aprendi também que a água muito quente é inimiga de uma pele hidratada. Conclusão: se têm a pele muito seca ou muito oleosa, deixem-na descansar e recuperar o seu equilíbrio natural. Se tiverem a pele oleosa, de vez em quando esfoliem cuidadosamente a pele com uma luva de crina ou outro esfoliante ecológico, particularmente o nariz, queixo e testa.

- Decido também aqui que este ano que em breve acaba foi o último em que investi tempo, energia e dinheiro a testar diferentes champôs ecológicos e maneiras alternativas de lavar o cabelo. Já experimentei tanta coisa, com muita perseveranca, e o resultado foi sempre desastroso. Já há muitos meses que uso um champô feito na Finlândia, que me deixa o cabelo seco e volumoso, com um aspecto descuidado e até sujo. Como antes de comecar esta aventura já tinha encontrado um champô que adorava, parece que vou voltar onde comecei. Num fim-de-semana fora, no Verão, esqueci-me do meu champô e usei o de supermercado de uma amiga. Foi uma sensacão óptima sentir o cabelo limpo, solto e brilhante como dantes... Bem sei que se todos usássemos champôs amigos da saúde e do ambiente o mundo seria melhor, mas às vezes é preciso relativizar. E isto dá origem ao próximo ponto.

- Por mais que acredite na importância de todas as pequenas accões singulares, de cada um, nas suas casas, comecei a sentir que provavelmente seria mais inteligente investir o mesmo tempo e energia que gasto em pesquisas e escritas para o blogue em activismo, associando-me a outros, de maneira formal ou informal, já que juntos somos mais influentes - para além de que saímos de casa, largamos o pc, discutimos cara a cara. Porque na verdade, se o governo de Portugal decidir suplementar a água pública com flúor, pouco ajuda a minha pasta dos dentes ser medicinal couto sem flúor. Ou seja, vale a pena votar naqueles que acreditamos jamais vão suplementar a água com flúor. Também reduzir o volume de lixo é muito importante mas antes que isso dê connosco em doidos, vale a pena reunir esforcos para melhorar o sistema de recolha e separacão de lixo urbano no sítio onde vivemos. Mais fácil dito que feito, bem sei, mas imaginem se funcionar!...

- Finalmente, longe de me achar dona de uma beleza irresistível (mas certamente única!) e de ter uns seios de fazer parar o trânsito (nús, talvez! ahah), pretendo continuar a explorar a minha beleza sem demasiados auxílios da indústria de lingerie e cosméticos. Fora com a maquilhagem diária porque me sinto assustadora, fora com os aros, as almofadas e os push-ups porque o que tenho não chega.

Beijinhos e bom balanco de 2014 (adoro os finais de ano!)!

1 de novembro de 2014

TIRAR OS TOMATES DO FRIGORÍFICO!

Queridos leitores, uma pequena curiosidade enquanto tomo café. Sabiam que os tomates não se devem guardar no frigorífico? Eu soube disto há umas semanas e achei o máximo. 

Para um aroma e sabor maduros, devem sim guardar-se à temperatura ambiente e, de preferência, com o píncaro voltado para baixo, para que durem mais tempo! Ainda por cima, embelezam imenso a banca da cozinha!

Esta dica é green porque quanto menos do que comemos precisar de frigorífico, melhor (sabiam que há gente a viver sem frigorífico? Quão interessante isto é...)!

Bom Sábado,
Ana

31 de outubro de 2014

REPENSAR AQUELA LATA DE FEIJÃO VERMELHO...

Bom dia queridos leitores! Já estava com saudades de escrever! Como estão? Cozinhas mundo lusófono fora preparam-se para comecar a celebrar o fim-de-semana. E eu aproveito e venho escrever-vos sobre a minha mais recente resolucão para mudar o mundo um passinho de cada vez: parar de consumir alimentos enlatados.

Antes de vos explicar como tenho gerido os desafios inerentes a esta decisão, explico-vos porque é que este é um passo muito importante!

> Principalmente, porque desejo genuinamente uma vida melhor para todos os seres humanos e acho que trabalhar numa mina de exploracão de estanho, cromo, ferro ou alumínio, ou numa fábrica de latas, ou a guiar um camião que transporta ananás em calda, não são trabalhos bonitos que eu gostasse de fazer. Portanto, como posso pedir aos outros que o facam?

> Porque é comida enlatada, fechada, esterilizada. Foi submetida a altíssimas temperaturas que destruíram toda a forma de vida microbiológica e proteínas com funcão enzimática, para que a lata dure meses ou anos, do campo até à cidade, da fábrica até ao armazém, ao supermercado, à nossa despensa, ao nosso prato. Não me seduz!

> Porque o estanho, o cromo, o alumínio e o bisphenol-A, geralmente usados no fabrico das latas, contaminam inevitavelmente os alimentos enlatados. Nomeadamente em relacão ao bisphenol-A, que não ocorre na Natureza, a Autoridade Europeia para a Seguranca Alimentar (EFSA) alerta para a provável toxicidade que a exposicão ao BPA representa para o rim, fígado e glândula mamária.

> Porque me obrigo a consumir alimentos frescos, com mais qualidade, mais nutritivos, reconectando-me com os ciclos e ritmos da Natureza a que pertenco.

> Porque, em princípio, faco menos lixo.  

Muito bem, e agora os alimentos enlatados que de vez em quando comprava e as alternativas que tenho andado a usar:

- Ananás em calda: punha de vez em quando na pizza caseira mas comecei a sentir que era demasiado doce e parei já há bastante tempo simplesmente porque já não apreciava. Para além disso, ando em busca da pizza perfeita e não me parece que a genuína pizza margherita de Nápoles tenha ananás em calda!...

- Atum: costumava comer com cebola picada, batata cozida, azeite e salada de tomate, uma combinacão de sabores que me lembra os deliciosos almocos fast-food da minha mamã. Mas sou uma sortuda e batata cozida com salada de tomate e cebola, regados com azeite, é ainda mais fabuloso, já que é cruelty-free, fazendo bem ao coracão!

- Polpa de tomate: parar de comprar polpa de tomate é um desafio e pêras. Uso-a para cozinhar lasanha de beringela e canelones de espinafres, as duas receitas de pasta que têm resistido à minha recente relutância em comer massa. Mas já experimentei utilizar polpa de tomate caseira (quer dizer, tomates maduros pelados e triturados) e saiu óptimo.

- Feijão vermelho e grão-de-bico cozidos: feijão vermelho para pôr na sopa e estufar com ovo escalfado, e grão-de-bico para fazer sopinha com espinafres, caril de grão com arroz e a minha versão de bacalhau ensalsado, sem bacalhau. Estes são os enlatados que mais me tem custado abandonar já que demolhar e cozer leguminosas requer planeamento e tempo. De qualquer maneira, estou cheia de motivacão e tem funcionado!

- Cogumelos: como aqui na Finlândia se consomem muitos cogumelos, há quase sempre frescos à venda nos supermercados, portanto a mudanca tem sido muito fácil. Para além disso, estou também a tomar atencão à sazonalidade deste preciosíssimo alimento, que brota por todo o lado no chuvoso Outono Finlandês.

E os leitores, consomem muitos enlatados?

Bem a propósito, sugiro-vos o galardoado documentário Finlandês Canned Dreams, que segue o processo de producão de uma lata de ravioli de carne, desde a mina no Brasil, ao cultivo do tomate em Portugal, à carne na Polónia. É muito bom, bonito, recomendo! Podem ver online aqui!

Bom fim-de-semana e uma feliz alimentacão para todos!

16 de outubro de 2014

A PROPÓSITO DO DIA MUNDIAL DA ALIMENTACÃO

Hoje, dia 16 de Outubro, comemorou-se o Dia Mundial da Alimentacão. Apesar de ser nutricionista, não costumo escrever sobre nutricão no blogue, por não ser esse o seu propósito - a não ser quando tento activamente tornar a minha alimentacão mais sustentável. 

Mas hoje, ao ler nas redes sociais tantos posts sobre o Dia Mundial da Alimentacão e ver tantas fotografias do que os Portugueses comeram às diferentes refeicões, decidi também eu escrever as minhas ideias sobre este dia tão importante. Saber o que pensa a maioria dos Portugueses sobre alimentacão e alimentos nunca foi tão fácil, já que existem dezenas de páginas na internet sobre alimentacão saudável e dietas. Trocam-se opiniões e ideias de como comer para, sobretudo, perder o máximo de peso.

E é, infelizmente, sobre o peso que principalmente se escreve. Fala-se menos de condicão física e de saúde, física e mental. É bastante raro ler uma nutricionista escrever sobre amor pelo próprio corpo e aceitacão do corpo como ele é. Os indivíduos detêm todo o controlo sobre o que comem, não importa se se sentem sós no seu quarto arrendado, desempregados, estenuados pela vida que levam, desconectados da sua essência.

Muitos Portugueses passam então demasiado tempo a contar calorias, mas muito poucos prestam atencão à longa listagem de aditivos de muitos dos produtos que consomem. E digo produtos porque, sinceramente, não concordo muito com a ideia de considerar alimento tudo aquilo que contenha calorias, que forneca energia. Quantos corredores dos supermercados são complexos cocktails preparados em laboratório?


Como o que conta são as calorias, vale tudo, desde que seja leve em calorias. Bebidas energéticas azuis, pós proteicos no batido,  fiambre magro no pão, gelatina e um triângulo de queijo para o lanche, maltodextrina em vez de acucar para fazer bolos.

Enquanto alimentos tradicionais são endiabrados, como a batata e o ovo, outros, como as sementes de chia, as bagas de goji e quejandos, são endeusados - não tiram a fome a nenhum dos Portugueses que por ela está a passar, mas são super foods.


Recomenda-se o consumo de menos carne pela saúde do coracão, mas poucos percebem que carne não é carne, é um animal morto, aos pedacos, que a grande maioria das pessoas jamais conseguiria matar, não tendo porém quaisquer problemas em pedir a outros que facam da matanca profissão. Não será que o essencial para um coracão saudável é mesmo paz e amor?

Peito de frango é excelente, sem gordura visível, puro, perfeito, como todos nós gostaríamos de ser. Questiono-me quem comerá as asas e as coxas, cheias de ossos, tecido conjuntivo e vasos.   

Para acabar, fala-se e escreve-se muito pouco sobre quem produz, em que país e em que condicões. A peticão contra a privatizacão da água continua sem reunir as assinaturas necessárias. E poucos imaginarão que na broa de milho do próximo Domingo poderá muito bem estar milho transgénico cultivado no Alentejo.

Espero não ter espalhado más energias. Adoro a minha profissão e nada me fascina mais do que alimentacão. Boa noite!

8 de outubro de 2014

PASTA DENTÍFRICA COUTO E PRONTO.

Olá queridos leitores!

Lembram-se de eu vos ter escrito sobre a minha experiência de fazer pasta de dentes caseira? Pois é, infelizmente, não continuei a fazer porque não me consegui habituar ao meu novo produto. O sabor a óleo de coco é o principal inimigo. Portanto, talvez um dia experimente com glicerina. 

De qualquer maneira, e tal como outros bloggers, tenho usado Pasta Dentífrica Couto: Portuguesa, velhinha (regra geral, gosto do que é antigo), sem Sodium Lauryl Sulfate nem flúor, e tão potente que uma bisnaga de 60g me dura para quase 3 meses - portanto é um investimento que sem dúvida compensa.


Quanto às pasta de dentes ecológicas, ainda não encontrei nenhuma no mercado que me satisfaca; geralmente, se não têm SLS têm flúor, e se não têm flúor têm SLS. Portanto, a vencedora para mim é mesmo a Pasta Medicinal Couto! Que podem encontrar, pelo menos, nas lojas de Saúde e Bem-estar do Grupo Auchan (ou seja, do Jumbo e Pão de Acúcar).

E vocês, que pasta de dentes usam?

4 de outubro de 2014

ALIMENTAR O SONHO DE VIVER EM COMUNIDADE!

Boa tarde, queridos leitores! 

Por aqui, um sol radiante sobre o frio cristalino. Hoje decidi vir escrever-vos sobre algo que me inspira profundamente: a vida em comunidade. Entenda-se em família alargada, com os pais, avós, filhos, irmãos, netos, com amigos ou  até desconhecidos

O desejo de viver em comunidade foi algo que me comecou a interessar há pouco mais de 1 ano, em parte como resultado da vida um tanto precária que tenho andado a viver nos últimos anos: fui de Coimbra para o Porto, de lá para Espanha, de Espanha para Helsínquia e acabei a estudar no centro da Finlândia. O resultado são muitas saudades espalhadas por todo o lado e alguma solidão.


Viver em comunidade talvez também me tenha comecado a atrair porque tive a alegria de crescer numa família numerosa, de três filhos e uma gatinha, muitas refeicões em família, bolo e pizza caseiros ao Domingo, muita música, muitas vozes.

Acima de tudo, acho que viver em comunidade é um desejo inevitável de uma pessoa com os ideias de paz, amor, união com a Natureza, partilha e liberdade.

Quando estudava no Porto, tive o privilégio de viver dois anos maravilhosos no Lar Universitário Cluny, em Cedofeita. Durante esses dois anos partilhei um quarto com uma estudante dos Acores, a Beatriz, que se tornou uma grande amiga. Apesar de sermos relativamente diferentes, tratámo-nos com tanto respeito e tolerância que a nossa convivência foi extremamente pacífica - e deixou muitas saudades. 

Mas no Lar Cluny a experiência de viver em comunidade não se ficava pelo quarto. Tinha sempre companhia ao pequeno-almoco e ao jantar juntávamo-nos as quase setenta raparigas no refeitório da residência. Uma casa cheia!

Mais recentemente, experiencei brevemente a vida em comunidade, nos quinze dias que passei no Awakened Life Project. E foi profundamente inspirador. Todas as pessoas a partilhar valores semelhantes e a viver activamente em funcão desses valores.

No que toca a partilhar a casa com amigos ou desconhecidos, acho que é importante que as pessoas partilhem valores semelhantes. Num jornal Finlandês li uma vez uma reportagem sobre um casal Finlandês que na altura de mudar de casa, em vez de procurar um apartamento, procurou outras pessoas que também gostassem de viver em comunidade. Depois, de entre os interessados, o casal escolheu os que partilhavam de ideias mais semelhantes, naquele caso, quem é que também fazia separacão do lixo, era vegetariano, entre outros. E acabaram a viver na mesma casa com outro casal!

Eu tenho algo de alma cigana. Esse ditado Português de Casamento, apartamento, para mim não serve. Para mim, casamento é sinal de família alargada! Isto de sair de casa mal se ganha um salário é coisa de sociedade capitalista e individualista, quando o dinheiro compra mesmo quase tudo. Nos países em desenvolvimento (para onde Portugal caminha se os cidadãos não despertarem) as famílias são alargadas e também o foram no passado em Portugal. Suponho que no Portugal rural ainda existirá.

A crise económica - que devia mais de ser chamada de crise de valores - é uma excelente oportunidade de repensar o modo como vivemos. Afinal, quantas casas por Portugal têm quartos vazios e quantas pessoas se sentem extremamente sós ou vivem em cubículos de 400€ de renda? Porque é que desconfiamos de toda a gente e de todas as intencões?

Pois bem, deixo aqui algumas das vantagens de viver em comunidade (incluíndo em família alargada):

  • Não há tanto lugar para a solidão se instalar. Seja no adolescente, no desempregado, no doente, no idoso.
  • Há sempre alguém com quem falar quando precisamos. Mas se não quisermos falar também ninguém nos obriga.
  • Cozinha-se sempre para mais do que um. Quem é que gosta de cozinhar só para si? A probabilidade de se trazer do supermercado uma embalagem de comida pronta-a-comer é muito maior. Ou seja, em comunidade é mais fácil comer saudavelmente.
  • Faz-se menos desperdício alimentar. Quando se vive sozinho, manda-se muitos mais frutos e hortícolas para o lixo.
  • Ser mãe e pai é muito mais fácil! Todos ajudam, todos brincam. As mães não passam a licenca de maternidade sozinhas em casa a deprimir.
  • Muito menos espaco para a doenca mental e demência! Não procurei dados epidemiologicos sobre isto mas parece-me óbvio, não? Há menos espaco para manias e hábitos destrutivos, controlos e obsessões.
  • Muitas cabecas pensam melhor que uma. Mais ideias de coisas para fazer, de lugares aonde ir, de receitas para cozinhar. Mais solucões para os problemas.
  • O trabalho é dividido, há menos carga de trabalho por pessoa. Uma semana aspira um, noutra semana outro. Vários a ir pôr o lixo, a ir ao pão.
  • Há sempre alguém para partilhar um Bom dia! e uma Boa noite!
  • Há sempre companhia ao pequeno-almoco e às refeicões. Quem gosta de comer numa mesa vazia?
  • Um carro, muitas boleias!
  • Há mais geracões juntas, mais idades, mais tolerância, mais compreensão, mais respeito, mais conhecimento, mais experiências.
  • Haverá mais dinheiro no agregado familiar. A pensão dos avós, o ordenado de um e de outro.
  • É muito mais sustentável do ponto de vista da utilizacão de recursos. Um casal sozinho com uma cozinha equipada, poderia na verdade alimentar muitos outros casais. E o secador? E a impressora? E o computador? A maior parte dos recursos que temos não os usamos 24/7!
  • Muito mais seguranca financeira. Se alguém ficar desempregado, haverá sempre alguém bem perto a dar-nos a mão.
  • Se alguém está doente e precisa de atencão redobrada, as pessoas revezam-se sem alterar tanto a sua rotina.
  • Várias pessoas te conhecem bem e tu conheces bem várias pessoas. Por mais voltas que se dê, isso será sempre uma vantagem.
  • As criancas não têm tanto medo de ficar no escuro à noite :) Há mais luz, mais vida.
  • Muito mais fácil ter um animal de estimacão porque todos podem ajudar a cuidar dele.
  • Os pais não têm de se afligir com a ideia de um dia acabarem os dois sozinhos, depois de já terem tido a casa tão cheia.
  • Mais pontos de vista, o que apesar de poder criar conflitos, estimula a nossa tolerância!
Quanto às desvantagens, principalmente no que toca a divergências e conflitos no relacionamento entre as pessoas, não existem sempre que duas pessoas se encontram, inclusivamente entre marido e mulher? Digam-me, desse lado, há por aí alguém a viver em família alargada ou em comunidade? Pessoas a viver em casa dos pais depois do casamento? 

2 de outubro de 2014

NÃO À PRIVATIZACÃO DA ÁGUA!

Queridos leitores,

Boa noite. Venho algo agitada escrever sobre um tema que muito me inquieta - e devia inquietar a todos: a privatizacão da água em Portugal, processo iniciado pelo actual governo, que o Tratado Transtlântico vem tornar ainda mais provável.

A água é um direito humano fundamental, recurso natural indispensável à vida e sobrevivência. Se a água for privatizada, esta não passará de um produto comercializado por uma empresa, cujo primeiro e último objectivo é o lucro. O IVA sobre a água subirá, a factura da água aumentará, o preco dos alimentos será mais elevado. A qualidade da água piorará. Aquela linda fonte no adro da vossa aldeia será encerrada.

Imaginem, margens e leitos de rios, nascentes, fontes, furos e captacões próprias, tudo privatizado nas mãos de uma empresa! 

Assim, venho convidar-vos a assinar esta peticão pública que pretende levar a privatizacão da água a referendo (tal como aconteceu em Itália), disponível aqui. Para que seja possível propor a questão a referendo, são precisas 75 000 assinaturas e, de momento, apenas 32 541 pessoas assinaram! Assim, convido-vos também a partilharem esta mensagem ou peticão com os vossos familiares e amigos, para que as pessoas percebam que privatizar a água ou não é muito mais do que uma mera questão de gestão!

"Se o sector da Água é insustentável do ponto de vista económico, porque haverão empresas privadas interessadas no mesmo?"

Se quiserem ler mais sobre a privatizacão da água, sugiro este artigo que está excelente.

Primeiro privatiza-se a água... Depois a água comeca a ser suplementada com flúor... e por fim proíbe-se a recolha de água da chuva (sim, soa cómico mas é real). E somos então mais um desunido estado dos EUA.

Relembrem as aulas de História: água é civilizacão.

23 de setembro de 2014

UM APARTAMENTO À TROCA!

Bom dia, leitores!

Se me lêem de vez em quando, saberão que estou bastante interessada em economias alternativas. Que de vez em quando viajo à boleia, que aprendi muito do meu Finlandês num tandem de línguas Português-Finlandês, que já me cortaram o cabelo em troco de um almoco de fast-food Português, que fui voluntária numa quinta de agricultura biológica, enfim.

E hoje venho aqui só para vos falar um pouco da minha última aquisicão nisto da economia das trocas: a casa onde vivo! Um T0 mobilado e equipado no rés-do-chão da moradia de uma família muito querida, que mo ofereceu em troca de umas tardes e sábados com as suas filhas, enquanto o casal está a trabalhar. Como costumavam ter de pagar a uma babysitter e o T0 estava vazio, temos uma verdadeira relacão simbiótica na espécie humana :)

Falem-me sobre as vossas experiências em trocas!

Tenham um bom dia! Aqui na Finlândia caem os primeiros e tímidos flocos de neve!

21 de setembro de 2014

MAIS UM 'SPREAD' PARA O PÃO!

Queridos leitores, boa noite!

E deem as boas vindas ao Outono, que acabou de chegar e já se adivinha lindíssimo aqui na Finlândia! A estacão das macãs, das nozes, das uvas, das abóboras, das amoras, das cores fortes... adoro. 

Imagem daqui.
Venho aqui escrever-vos sobre uma experiência que fiz hoje para o pequeno-almoco, como me foi sugerido por uma amiga. Em vez de usar queijo ou manteiga no meu pão, barrei-o com pera abacate, polvilhei com sal e pimenta, e finalizei com tomate fatiado. E estava uma delícia! 

Lembrem-se de preferir pera abacate nacional! É fantástico que a produzamos em Portugal!

Tenham uma óptima semana!
Beijinhos,
Ana

12 de setembro de 2014

REPENSAR O MEU SUPER PUSH-UP...

Queridos leitores e mais uma vez, especialmente, leitoras,

Sabem quando estão a usar uma camisola de gola alta e as alcas do soutien caem a toda a hora? E quando não se usa a copa certa, estão a ver aquela deselegante cova debaixo da camisola? E os inestéticos relevos de rendas debaixo da roupa? Para além de que as rendas podem picar e irritar a pele. E pior ainda, sabem quando esticamos o braco para tirar qualquer coisa do armário alto da cozinha e as copas do soutien nos sobem até ao pescoco??  Ah e alguns soutiens também deixam horríveis marcas vincadas na pele, debaixo do peito, nos ombros. E isto multiplicado por não sei quantos soutiens, um branco, um preto, um sem alcas, um sem costas!... 

Enfim, quem usa soutien, sabe do que estou a falar. Para umas mulheres é mais simples do que para outras, consoante o tamanho do peito e a relacão com o perímetro das costas, mas duvido que haja aqui uma leitora que nunca tenha experienciado extremo desconforto por causa de um soutien.

Ora bem, para que é que usamos soutien? 

Para suportar o peito, pelo menos em teoria e principalmente, se o nosso peito for grande. Agora, o meu pequeno peito certamente não precisa de suporte. Na verdade, é mais o meu peito que suporta o soutien, nem sempre com sucesso, como já expliquei.


Na verdade, uso soutien para aumentar o volume do meu peito. E para lhe dar uma forma perfeitamente redonda, que ele não tem. Ou seja, para o alterar completamente. Mais, uso soutien para esconder o meu peito, tanto quando faz calor como quando faz frio; aprendi que é feio. Que atrai perigosos e entusiasmados olhares. Que é sem vergonha, provocador.

E então decidi ir às compras! Na H&M aqui de Helsínquia encontrei imensos soft bras ou bralettes - sem aros nem almofadas - e fiquei fã. Em Portugal também parece haver alguns e certamente que encontram de outras marcas, por exemplo DIM.  E aproveitem porque estão na moda, visíveis debaixo da roupa, para certos looks. Por agora pude comprar apenas um mas pretendo comprar mais para poder prescindir dos meus super push-up na totalidade. Este novo não é perfeito, vinca-me um bocado as costas, nada como andar sem soutien, mas isso não está nos meus planos já que ainda estou à procura de emprego! ahah

Mas não foi só o soutien que mudei. Mudei o modo como olho para o meu peito e o respeito, à sua forma e tamanho. Adoro-o e jamais vou voltar a ignorá-lo como fiz até agora.


Acordem as Deusas que há em vocês! :)


P.S: A minha atitude também mudou porque conheci uma senhora a quem o médico proibiu de usar soutien desde que teve um cranco de mama, por causa da constricão que o soutien causa nos vasos linfáticos...

NÃO MAIS GARRAFAS DE PLÁSTICO!

Imagem daqui
Olá queridos leitores! 

Venho aqui rapidinho só para vos dizer que agora sim já resolvi o meu pequeno problema com as garrafas de água de plástico, e de um modo inteligente - já que ultimamente simplesmente nunca andava com água... 

Então, um dia destes o meu namorado apareceu em casa com duas cervejas artesanais em garrafa de vidro com flip top e o meu problema ficou resolvido. Lavei-as, retirei as etiquetas e agora ando sempre com uma na mochila! 

É certo que são um pouco pesadas mas ninguém é perfeito! O vidro é inerte, não interferindo com o sabor da água nem a contaminando lentamente como acontece com as garrafas de plástico e de alumínio. A capacidade é de 0,5L, perfeita para mim. Para além disso são super giras!


25 de agosto de 2014

NÓS TAMBÉM SOMOS NATUREZA...

Queridos leitores e hoje, particularmente, leitoras,

Nunca fui muito supersticiosa, mística ou espiritual. Mas com a idade tenho mudado um pouco. Como tenho descrito aqui no blogue, desde que parei de tomar a pílula, tenho prestado bastante atencão ao meu corpo. 

Serpentes d'água (pormenor)
Gustav Klimt
No Verão tive o privilégio de conhecer uma mulher muito mística que, em conversa, me desafiou a tomar atencão à fase da lua em que os meus períodos ocorrem. E então hoje, recorrendo a este site, anotei a fase da lua dos meus dois últimos períodos, do meu primeiro período e da minha data de nascimento, tal como me foi sugerido. E é claro, já estão a ver, não queria acreditar!

Nasci em quarto minguante, menstruei pela primeira vez (sim, eu sei a data exacta, foi no mesmo dia da Carmo, filha do meio do Super Pai da TVI! ahah) em quarto minguante e os meus dois últimos períodos foram em quarto minguante... É claro que pode ser apenas uma grande coincidência, mas devo confessar que acho cada vez mais não haver coincidências. Se googlarem este tópico, aparece um mundo de escritos, do mais empírico ao mais científico.

E ainda há mais um facto super interessante a acrescentar. No Verão, tive o privilégio de passar duas semanas como voluntária no Awakened Life Project, perto de Coimbra - experiência sobre a qual escreverei um pouquinho aqui e ali. Dormi todas as noites numa tenda, deitava-me por volta das 22h e acordava sempre às 6h30, com o dia mesmo a nascer diante de mim. Quinze dias de comida vegetariana, aliás, vegan na maioria dos dias, relativamente local e de agricultura biológica, e de enorme valor nutricional - muitas sementes, leguminosas, frutos, cereais integrais, folhas verdes selvagens, muitos alimentos crus. Apanhei muito sol e andei muito ao ar livre.

Resultado? Tive, pela primeira vez na minha vida, e ainda durante a minha estadia na quinta, um ciclo de 28 dias. Tanto que desconhecemos sobre a nossa natureza...

E vocês leitoras, encontram alguma relacão entre as vossas menstruacões e as fases lunares? Mesmo bonito este assunto.

19 de agosto de 2014

AS MAIS SIMPLES PAPAS DE AVEIA!

Bom dia, leitores! Estou a comer papas de aveia para o pequeno-almoco e apercebi-me de que nunca vos falei da maneira absolutamente mais simples de as preparar: no microondas!

Num prato de sopa, tigela ou taca de ir ao microondas deitar um copo de flocos de aveia fina integral, temperar com uma pitada de sal e cobrir com água, bebida vegetal ou leite, para um sabor e textura bastante mais agradáveis. 

Levar ao microondas por 1 minuto, retirar, mexer e adicionar mais líquido se precisar. Levar outra vez ao microondas por mais 1 minuto. 

Depois pode-se adicionar uma noz de manteiga, fruta (banana, macã ralada, morangos...) e está pronta a comer! 

Esta é a papa que todos os bebés Finlandeses comem, ao pequeno-almoco e à ceia, quando iniciam cereais na sua alimentacão.

Tenham um bom dia!

18 de agosto de 2014

SOBRE OS SACOS DA FRUTA E HORTÍCOLAS II

Boa noite, queridos leitores! Lamento já não escrever há tanto tempo mas tenho andado mais activa noutras esferas da minha vida! De qualquer maneira, não ando menos atenta e recentemente aprendi com a minha sogra a fazer sacos para frutas e hortícolas a partir de folhas de jornal. Se não costumam ter jornais em casa, como é o meu caso, pecam a alguém que compre regularmente.

Resultado? Parei de acumular em casa aqueles sacos de plástico pequenos que tanto me inquietavam (aqui escrevi sobre isso). E estou super satisfeita! É claro que fica toda a gente no supermercado a olhar para mim mas quero acreditar que a maior parte estará a pensar, Ah que fixe, também quero aprender a fazer aqueles sacos!

Neste link podem ver um vídeo que mostra como fazer os sacos. Parece que são criacão de uma designer Finlandesa, que os projectou como sacos para lixo biodegradável. Depois é só fazer uns quantos de cada vez, um para tomates, outros para frutas, e metê-los na carteira. Assim, estamos sempre munidos!

Os únicos inconvenientes:
- Farruscam um pouco as mãos;
- Não servem para grandes volumes, já que não fecham.

O tempo que levam a fazer é mínimo e portanto não considero isso nenhum inconveniente. Se têm filhos, podem ensiná-los a fazer os sacos e assim juntar o útil ao agradável!

Digam-me se experimentarem! 
Beijinhos,
Ana

19 de julho de 2014

PAPAS PARA BÉBÉS CASEIRAS (com glúten, não lácteas)

Bom dia, queridos leitores! Hoje venho publicar uma das mais importantes mensagens deste blogue, sobre alternativas saudáveis e ecológicas às papas para bebés.

Antes de mais, porque é que eu tenho andado a estudar e a experimentar alternativas às papas para bebés?

Porque a maioria das papas de compra contém
- óleos vegetais não discriminados, ou seja, podem ser de palma, de soja, de algodão, de girassol, o que for mais barato no momento, suponho;
- sacarose, açúcar, dextrose ou açúcar-cande, ou seja, açúcar;
- maltodextrina, um polímero da glicose de absorção rápida e elevado índice glicémico. É um aditivo alimentar provavelmente usado para espessar a papa. Tanto quanto sei, não ocorre na Natureza.
- lecitina de soja, um mero emulsionante mas que por ser de soja pode desencadear reacções alérgicas nalguns bebés. Por este motivo, algumas marcas usam lecitina de girassol (que eu preferiria, se fosse mãe).

Para além disso, se a farinha for láctea, constam também dos ingredientes leite em pó e suas proteínas, e na embalagem pode ler-se a partir dos 6 meses, quando o leite de vaca não é aconselhado a bebés com menos de 1 ano, para evitar o despoletar de reaccões alérgicas à proteína do leite de vaca.

Algumas papas contêm culturas de bifidobactérias. Deixo esta questão para o vosso bom-senso. Eu cá preferiria colonizar o tubo digestivo do meu bebé de um modo natural, através da amamentação e da alimentação. Mas muitos nutricionistas não partilham da mesma opinião.


Em relacão à composicão nutricional, a percentagem de açúcar tende a variar entre 30% e 50%. Imaginem, metade daquele pozinho pode ser acúcar!...

Entretanto, as papas não são todas iguais e vale sempre a pena ler a listagem de ingredientes. Algumas poucas primeiras papas no mercado não contêm açúcares de adição.


Avancemos. Que alternativas?


Como já uma vez aqui referi, na Finlândia não se dão papas de compra aos bebés. Em nenhum supermercado se encontra à venda quaisquer farinhas lácteas ou não lácetas, com ou sem glúten. Os bebés começam a consumir papas de aveia caseiras, primeiro com água e depois com leite de vaca, logo que seja permitida a introdução de glúten na alimentação do bebé.


Conclusão? As papas de compra não são essenciais, mas dispensáveis. E antes de existirem, os bebés de todo o mundo comiam certamente papas caseiras.


Posto isto, nos últimos dias tenho experimentado preparar cremes de aveia com frutos em casa. Já experimentei creme de aveia e maçã, creme de aveia e pêra e creme de aveia e banana, por serem no meu imaginário os sabores clássicos das papas para bebés (e que eu comi até ter 15 anos!). É claro que as possibilidades são infinitas: manga, papaia, laranja, morangos, pêra-abacate, qualquer fruto pode ser usado, desde que permitido pelo pediatra. 

Estas papas são super fáceis de preparar, muito saborosas, naturalmente doces e nutritivas. E muitíssimo mais saudáveis e baratas que as concorrentes de compra. E são comida livre, não estão a alimentar os vossos filhos com uma marca, mas com a Natureza.


Então, como preparar saudáveis papas caseiras para o seu bebé?

1. Comece por comprar um pacote de aveia fina integral, na área de dieta dos supermercados ou em lojas de produtos dietéticos. 

2. Na noite anterior a experimentar as papas, deixa a demolhar em água duas mãos cheias de aveia. Isto para aumentar a sua digestibilidade. Este passo será desnecessário se cozinhar as papas, mas continue a ler.


3. No dia a seguir, escorra a água da aveia e siga as seguintes intruções para preparar as papas:


Creme de aveia com maçã: No copo da varinha mágica, deitar meia maçã sem casca cortada em pedaços e duas mãos de flocos de aveia integral fina. Cobrir com água e temperar com uma pitada de sal. Depois triturar com a varinha mágica até obter a consistência desejada – adicionar mais flocos se demasiado líquida ou mais água se demasiado espessa. Transferir para uma taça. 

Adicionar nozes picadas e passas de uva e, se desejado, mel (as papas são naturalmente doces!), canela e uma pitada noz moscada. Considere a adequação destes ingredientes à idade do seu bebé, seguindo as instruções do pediatra.

Creme de aveia com pêra: No copo da varinha mágica, deitar 1 pêra madura cortada em pedaços e duas mãos de flocos de aveia integral fina. Adicionar um pouco de água e temperar com uma pitada de sal. Depois triturar com a varinha mágica até obter a consistência desejada – adicionar mais flocos se demasiado líquida ou mais água se demasiado espessa. Transferir para uma taça.

Decorar com chocolate preto raspado na hora. Considere a adequação deste ingrediente à idade do seu bebé, seguindo as instruções do pediatra.

Creme de aveia com banana: No copo da varinha mágica, deitar 1 banana madura cortada em pedacos e duas mãos de flocos de aveia integral fina. Cobrir com água e temperar com uma pitada de sal. Depois triturar com a varinha mágica até obter a consistência desejada – adicionar mais flocos se demasiado líquida ou mais água se demasiado espessa. Transferir para uma taça.

Enriqueça com morangos aos pedacinhos. Considere a adequação deste ingrediente à idade do seu bebé, seguindo as instruções do pediatra.


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Todos estes cremes estão à temperatura ambiente. Se desejar um creme frio, adicione água fria. Se desejar um creme quente, adicione água fervente ou cozinhe a aveia em água de acordo as instruções da embalagem. Nesse caso, não será necessário demolhar a aveia em água.


Estas papas contêm glúten, podendo ser introduzidas na alimentação do seu bebé apenas quando o pediatra recomendar a introdução de cereais com glúten, como o trigo, a cevada e o centeio. Em todo o caso, parece-me correto conversar com o seu pediatra antes de substituir as papas comuns por estas, até para partilhar esta possibilidade.


Se não têm bebés, preparem para vocês mesmos e deliciem-se!


Bom fim-de-semana!

P&A,
Ana

15 de julho de 2014

FAZER XIXI NO BIDÉ!

Quanto mais vezes troco a sanita e o papel higiénico pelo bidé e água, mais convencida fico de que é uma medida super ecológica. 

Ao fazer xixi no bidé em vez de na sanita, poupa-se uma enorme quantidade de água. Mesmo tendo um autoclismo ecológico, qualquer descarga gasta muito mais água do que a torneira do bidé aberta por alguns segundos. 

Ao trocar o papel higiénico pela água, poupa-se dinheiro e árvores, polui-se menos a água (ou não se polui de todo, já que xixi é 100% natural e o papel higiénico não é propriamente 100% celulose). 

Para além disto, usar água em vez de papel higiénico é muito mais higiénico (zero odores desagradáveis!) e saudável, especialmente importante para quem tiver infeccões urinárias recorrentes ou infeccões da vulva ou da vagina. Também não precisamos de lavar as mãos porque a única mão 'suja' fica automaticamente lavada!

Genial, não? Infelizmente não deve dar para pôr em prática fora de casa mas mesmo assim vale a pena, ora vejam:

Imaginem que são um casal e que os dois fazem xixi em casa duas vezes por dia, de manhã e à noite, digamos. São 4 menos descargas de autoclismo. Ora quanta água se poupa ao final de um mês? Muita!

Reparem que isto não é nenhuma novidade hippie! A minha avó materna sempre se lavou no bidé em vez de usar papel higiénico!

O que acham?

14 de julho de 2014

AFINAL, NÓS SOMOS MUITOS!

Boa noite, queridos leitores! Como estão? Tenho estado um pouco ausente mas tenho muuuito material para escrever!

Hoje venho escrever-vos sobre uma pequena descoberta que me provocou alguma emoção. Já todos vocês terão certamente ouvido falar da flora intestinal e da sua importância para a saúde humana, recentemente descoberta (e bem explorada pelos gigantes da indústria alimentar!...). 

Ora, o intestino é apenas um dos locais do corpo humano que está colonizado por bactérias, fungos e outros microrganismos que nos são benéficos. E assim, no outro dia, decidi pesquisar sobre as outras localizações desses microrganismos no nosso corpo e sobre o número estimado em que se encontram. E o resultado foi fantástico!

Diferentes microorganismos encontram-se em diferentes zonas e até camadas da pele, no cabelo, na boca, no nariz, na zona genital, nas axilas, espaços interdigitais, umbigo, orelhas... basicamente, em todo o corpo. Se todos estes microrganismos fossem visíveis a olho nu, acho que teríamos um aspecto bem diferente!

Quanto ao número, recentes investigações estimam que o número destes microorganismos no nosso corpo é tão elevado que o corpo humano é apenas 10% célula humana e 90% microrganismos! Incrível! Pensem no conceito de indivíduo depois desta informação! Não é interessante? Afinal não somos apenas um organismo multicelular... somos muitos organismos!

Por isso, desencorajem os vossos amigos e familiares de usar desinfectantes para as mãos de modo deliberado, elixires desinfectantes para a boca, líquidos de lavagem íntima capazes de desequilibrar uma flora vaginal equilibrada, sabonetes líquidos para as mãos que eliminam bactérias, enfim, uma panóplia de produtos relativamente inúteis para o quotidiano da maioria das pessoas. Se esses microorganismos vivem connosco enquanto indivíduos saudáveis será por alguma razão!

1 de julho de 2014

ALTERNATIVAS AO LEITE OU... LEITE ALTERNATIVO?

Só uma clarificacão de ideias (antes de mais, das minhas, e agora espero que também das vossas): eu tenho escrito sobre as várias alternativas ao leite que encontro e consumo. Agora há aqui uma importante confusão: não são estas minhas novas bebidas as alternativas; o leite é que é alternativo, o leite é que foi introduzido muito recentemente na nossa alimentacão diária, há pouco de tradicional e Português no consumo de 3 chávenas de leite por dia. 

À luz do que já tinha lido sobre o consumo de leite antes do século XX, questionei a minha mãe sobre o papel do leite na sua infância. O leite era consumido apenas pelos doentes, pelo seu valor nutricional, é certo. Mas como já sabemos é uma bebida com uma grande pegada ecológica, que requer a exploracão de outra espécie, que gera respostas alérgicas ou de intolerância em muitas pessoas, e que poderá ter efeitos adversos no organismo, enquanto "suplemento hormonal".

Continuando, segundo a minha mãe, os sãos bebiam café de cevada, café e seus refrescos, se acessível, limonada, vinho tinto e, claro, infusões de folha de laranjeira, de cidreira, de tília, de limão, enfim, das plantas e árvores características de cada região. 

Ultimamente tenho, efectivamente, pensado sobre como delicada e bela é uma infusão. A sua cor, aroma e corpo, todo o ritual de preparacão e consumo, a sua simplicidade. Local, sazonal, acessível a todos, sem crueldade, natural. Toda a gente devia ser educada a apreciar uma infusão.

E o que bebiam os vossos pais e avós no passado, sabem?

30 de junho de 2014

VOLTAR ÀS LIMAS DE METAL!

Boa tarde, leitores! Como estão todos? Olhem, quando eu tinha para aí 14 anos, generalizou-se a ideia de que as limas de unhas de metal enfraquecem as unhas. E então toda a gente trocou a lima de metal pelas de cartão, descartáveis, baratas, aos packs no supermercado.  

Mas há uns dias, perante a minha completamente gasta lima de cartão, decidi-me a tirar da gaveta a lima de metal, que é tão maneirinha e eficaz. Não é que isto seja uma resolucão que vá mudar o mundo, já que comprei duas ou três limas de cartão a vida toda, mas achei por bem vir aqui partilhar esta medida ecológica na qual nunca havia pensado.


Até breve!

17 de junho de 2014

PARAR DE TOMAR A PÍLULA IV

Boa noite queridos aspirantes a uma vida mais natural! Como estão? Hoje venho aqui só partilhar mais uma experiência que pode ser útil a outras mulheres que também pretendam parar de tomar a pílula. 

Já estava sem uma menstruação quase há 4 meses. A ginecologista tinha-me receitado um medicamento para induzir um período a cada três meses, caso não ocorresse naturalmente. Já tinha ido à farmácia comprá-lo, triste.

Entretanto, cheguei a Portugal. Foi tão grande a alegria de abraçar os meus pais e os meus irmãos, de conversar e rir com os meus amigos, de beijar a minha gatinha, de me sentar no chão do meu quarto, de comer as papinhas da minha mãe, enfim, já estão a perceber, o período veio!

Sei que o stress pode provocar ausência de menstruação, estava consciente que andava mais stressada nos últimos meses e, portanto, suspeitava (e esperava!) que isto fosse acontecer, mais foi mais rápido e óbvio do que pensei! 

Certamente não se recordam, mas quando parei de tomar a pílula, e ao fim de quase 6 meses sem um período, imaginem quando menstruei? Nas férias do Natal, passadas em Coimbra! Depois de passar vários dias inteiros em família, de tomar vários cafés com os amigos, e de celebrar a entrada no novo ano.

Portanto, os comprimidos vão ficar arrumados na gaveta e o diagnóstico de 'hormonalmente desequilibrada' pode ser trocado pelo de stressada, em tudo semelhantes e relacionados, é certo, mas com a diferença de que para tratamento desta última condição bastam injecções de alegria, identificação, sentimento de pertença, enfim, e injecções dessas não se vendem na farmácia, são aliás gratuitas mas às vezes mais difíceis de arranjar do que se imagina.

Resumindo: são saudáveis, o período não vem e não estão grávidas? Então, antes de recorrerem a medicação, experimentem um tratamento intensivo de alegria e bem-estar: rodeiem-se de quem amam e riam, dancem, comam, cantem. 

Boa noite!

12 de junho de 2014

USAR MENOS MAQUILHAGEM (homens, leiam também!)

Queridos leitores, como já referi brevemente num post anterior, tenho usado menos maquilhagem do que costumava usar. Desde os 13 anos que uso algum tipo de pintura quase diariamente. E se no início era apenas uma diversão e um privilégio muito femininos, nos últimos anos,  pôr maquilhagem era mais uma necessidade: sair de casa sem maquilhagem era sinónimo de reza para não me cruzar com ninguém conhecido. Para além disso, ao longo dos anos, a minha rotina de maquilhagem foi-se complicando, como bactéria que desenvolve resistência a antibiótico. O rímel já não era suficiente, precisava agora também de gloss para lábios apetitosos e depois de blush para uma corzinha; depois veio ainda o eyeliner para olhos agressivos, os pós compactos para uma pele mate, as sombras de olhos e, finalmente, o iluminador para a minha tez opaca e sem vida.

Até que, no último ano, ouvi várias vezes do meu namorado não fazer ideia se eu estou a usar maquilhagem ou não. Na altura, pensei será que sou assim tão má a maquilhar-me (não sou nenhuma make-up artist mas sei fazer o que até agora chamaria de essencial)? Ou será que sou assim tão bonita? Decidi-me pela última (claro!) também porque, como já referi no outro post, não foram raras as vezes que, nos últimos meses, em frente ao espelho, achei que o olho por maquilhar estava afinal mais bonito do que o acabado de maquilhar. E foi então que comecei a reflectir sobre este hábito de muitas de nós de usar maquilhagem diariamente, de não conseguir sair de casa sem rímel, dizem umas, sem base, dizem outras.

E entretanto, nem sei bem como, já saí duas vezes à noite (restaurante, bar, club, esse tipo de situacões em que se usa maquilhagem sempre) sem maquilhagem nenhuma e, claro, a sensacão foi tão boa quanto esperava.

Mas atencão, isto não significa que nunca mais me volte a maquilhar! O exercício que estou a fazer serve para eu testar (e confirmar) que, na maioria das vezes me maquilho por acreditar que a minha beleza natural não é suficiente, por me sentir incompleta sem maquilhagem. Por isso, para mim, neste momento, não faz sentido fazê-lo diariamente. Maquilhar-se é divertido, é uma forma criativa de nos expressarmos, de comunicar sobre quem somos sem palavras, tal como fazemos com a roupa que usamos ou com a comida que comemos. Maquilhagem é, em última análise, uma arte, uma profissão. Usarei sim, de vez em quando, o meu batom vermelho dramático ou o meu lápis verde de olhos que tanto adoro. O importante é que nos sintamos verdadeiramente bem, em harmonia, por fora e por dentro.

Não confundam isto com desmazelo; eu adoro cuidar de mim! A diferenca é que dantes, na maioria dos dias, olhar para o meu rosto de manhã ou à noite, sem maquilhagem, não me dava muita satisfacão. Agora, vejo-me, sou eu e acho-me mais bonita que nunca.

O que acontece quando comecas a usar menos maquilhagem?

Acima de tudo, apercebes-te melhor da tua unicidade. Da raridade dos teus lábios, da cor dos teus olhos, da beleza da tua imperfeita pele. Sentes-te mais autêntica.

- Apercebes-te de que a prioridade deve ser a saúde da tua pele, o brilho dos teus olhos, o tamanho do teu sorriso, ou seja, a tua saúde e felicidade. Fazer exercício físico, dormir o suficiente, beber água e infusões, apanhar sol, rir, alimentares-te verdadeiramente saudável são o segredo da beleza para a vida.

- Comecas a aceitar-te e a aprender a gostar de ti tal como és. Sim, essa cara nua e cheia de graca é a tua e nunca houve nem jamais haverá outra igual.

- Arranjas-te mais rápido de manhã, ou seja, não tens desculpa para não comecares o dia com uma saudacão ao sol no teu jardim imaginário (...) nem para não tomares um bom primeiro-almoco. Podes também, simplesmente, dormir mais!... De qualquer maneira, é só vestir, lavar a cara (sem sabonete, claro!), escovar os dentes (com pasta de dentes caseira!) e já está.

- Cuidas mais bem da saúde dos teus olhos. No meu caso, que uso lentes de contacto, eyeliner foi sempre uma péssima ideia.

- Limpas a pele do rosto e mantém-la fresca ao longo do dia muito mais facilmente. Basta encontrar uma casa de banho, enxaguar bem o rosto com água e já está! Uma pele limpa e macia como ao acordar. Ao fim do dia, é assim também muito mais fácil dar uma nova frescura e luminosidade ao rosto.

- Balões e pistolas de água, festas em mansões com piscina, mergulhos no mar depois de saídas à noite, filmes como O Papuca e Dentuca, nadar antes de ir par o trabalho, nada disso é agora problema. Não há nada para esborratar!

- Quando estás rabujenta ou cansada, voltas a poder esfregar os olhos à vontade, como quando eras crianca!!! E que bem que sabe.

- Acabam-se os olhos esborratados ao fim do dia, contribuindo para um ar cansado e desmazelado.

- Acabam-se os discos de algodão, os desmaquilhantes, os olhos a arder da maquilhagem ou do desmaquilhante, nem quero saber. Antes de dormir só é preciso um splash de água! Preguica já não é motivo para te deitares sem limpar a pele.

- Dás mais um passo para melhorar o mundo. Gastas menos dinheiro (e portanto precisas de menos dinheiro), salvas uns quantos animais enjaulados para nossa seguranca, desde ratinhos e coelhos, cães e macacos, reduzes a poluicão inerente à indústria cosmética, podes dormir descansado porque ninguém na China está a incubar cancro do pulmão para produzir as tuas sombras de olhos, reduzes o teu volume de lixo, enfim, só coisas boas. Em última análise, poderemos acrescentar que promoves a igualdade de género no Ocidente, onde homens são desejados e amados ‘ao natural’ e as mulheres são educadas a produzir-se ou aperaltar-se para agradar e seduzir.

Beijinhos, agora de Coimbra!

9 de junho de 2014

PASTA DE DENTES CASEIRA!

Estimados leitores, hoje trago uma óptima notícia! Finalmente, a semana passada decidi-me a experimentar fazer pasta de dentes caseira e venho encorajar-vos a fazer o mesmo! 

Como será fácil de perceber, a maior motivacão para fazer a minha própria pasta de dentes é livrar-me da infinita listagem de ingredientes cuja origem, funcão e efeitos desconheco. Vejamos os ingredientes da pasta de dentes que costumava usar (responsavelmente disponibilizado no site da marca) e a principal funcão que acredito terem (senso comum e pesquisa online):

Aqua - consistência
Carrageenan - consistência
Cellulose Gum - consistência
Glycerin - consistência e docura
Sodium Saccharin - docura
Limonene - aroma
Aroma - aroma
Sorbitol - docura e antibacteriano
Triclosan - antibacteriano
PVM/MA Copolymer - não percebi muito bem, desnecessário de qualquer maneira
Sodium Hydroxide - elevar o pH ácido da mistura
Sodium Lauryl Sulphate - detergente para remover gordura  (fazendo espuma)
Hydrated Silica - agente de limpeza por abrasão
CI 77891 - agente branqueador
Sodium Fluoride - fonte de flúor

Interessante, não? Metade dos ingredientes servem para dar a consistência, textura, sabor e aroma que conhecemos e portanto são desnecessários.

Pasta de dentes caseira - Porquê?
- Menos embalagens de plástico no meu caixote do lixo
- Verdadeiramente biodegradável. E portanto boa para usar no campo, em acampamentos, na casa do lago, num rio, mar...
- Levar à boca, duas vezes por dia, algo que sei exatamente o que é
- Dar menos uns trocos às gigantes mundiais Unilever, Johnson&Johnson, Colgate-Palmolive e companhia (que também comercializam produtos de limpeza para a casa-de-banho, batatas fritas e gelados) e expressar o meu desagrado por não me oferecerem um produto que me agrade...
- Poluir menos a água que escoa da minha casa-de-banho para o mundo e que tempos mais tarde, é a mesma água que bebo para matar a sede...
- Pela diversão de fazer a minha própria pasta de dentes!
- Pelo custo inferior? Ainda não tive oportunidade de calcular.

Sem mais rodeios, vamos à receita para uma quantidade suficiente para uns dias de teste:

2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio (agente branqueador e de limpeza por abrasão; pode comprar-se na farmácia ou no supermercado)
2 colheres de sopa de óleo de coco (de preferência, orgânico, prensado a frio, extra virgem; para dar consistência e adocar a mistura bem salgada. Pode comprar-se, por exemplo, no Celeiro-Dieta ou nos pontos de venda da Próvida)
8 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta (ou o que preferirem!)

Misturar tudo muito bem, eventualmente, directamente no recipiente onde vai conservar a pasta no futuro. Eu estou a reutilizar um frasco de vidro de manteiga de amendoim.

Umas poucas consideracões:

  • Esquecam aquela frescura dormente e prolongada típica da pasta de dentes; isso acabou! Plantem uma erva-cidreira num vasinho à janela e masquem umas folhas depois de lavar os dentes, como eu tenho feito.
  • Bem sei que usar óleo de coco em Portugal ou na Finlândia pouco de greener tem mas como tinha em casa (uso como hidratante corporal) e encontrei uma receita cuja base era óleo de coco, então decidi-me a experimentar. Da próxima vez, tenciono usar glicerina vegetal por acreditar ser mais ecológico mas também porque o sabor do óleo de coco é um pouco intenso.
  • O bicarbonato de sódio não se dissolveu bem mas é possível que se apresente em granulacões diferentes, por isso vou tentar encontrar bicarbonato de sódio extra fino!
  • Nesta pasta de dentes falta o flúor que usámos a vida toda para prevenir cáries. Mas como parece que o meio ambiente está absoluta e toxicamente contaminado com flúor (alguns países, por exemplo os EUA, suplementam a água pública com flúor) - que chega até nós via alimentos e água - não estou nada preocupada.
  • A par da mudanca é muito importante evitar alimentos muito processados tipo pão branco, tostas, bolachas (incluindo de água e sal), rebucados, iogurtes acucarados, pastéis e bolos, cereais de pequeno-almoco prontos a comer, gomas,  e todos os outros que tendem a deixar imensos resíduos nos dentes. Como já uma vez relatei aqui, com uma dieta minimamente processada, os dentes chegam ao final do dia muito mais limpos.
Okay, então, o próximo passo é experimentar usar glicerina vegetal em vez do óleo de coco, bicarbonato de sódio mais finamente granulado e ver se é possível encher um tubo vazio de pasta de dentes, para ser mais prático.

Alguém gostaria de me falar sobre a sua experiência com pasta de dentes caseira?